Resenha Crítica | Personal Shopper (2016)

Personal Shopper, de Olivier Assayas

Mesmo com uma carreira que já dura há mais de 30 anos, o realizador francês Olivier Assayas parece ter se permitido a renovar sutilmente as suas pautas ao encontrar na jovem Kristen Stewart uma nova musa inspiradora. Além de ter se revelado uma grata surpresa em um papel secundário em “Acima das Nuvens”, pelo qual inclusive se tornou a primeira atriz americana a ganhar um César, Stewart é agora o centro de “Personal Shopper”, um drama sobrenatural estranho na filmografia de Assayas.

Maureen Cartwright (Stewart) é uma americana que se mantém em Paris trabalhando como personal shopper, como são chamadas as assistentes de compras de celebridades sem muito tempo ou disposição para experimentar o guarda-roupa que vestirá em um evento de gala. É uma função com a qual executa a contragosto, especialmente após a morte recente de Lewis, o seu irmão gêmeo.

Porém, outro dado muito importante sobre Maureen é o seu dom como sensitiva, sendo convocada para identificar na mansão que um casal deseja habitar se há algum espírito rondando os cômodos. É uma responsabilidade que lida sem conhecer a teoria sobre se comunicar com espíritos, mas a qual se encarrega como oportunidade de cumprir uma promessa de reconexão fora do plano material com Lewis.

A vitória de Olivier Assayas no Festival de Cannes em 2016 na categoria de Melhor Diretor (prêmio que dividiu com Cristian Mungiu por “Graduação”) pode soar exagerada, mas não há dúvidas de que cumpre excepcionalmente com a proposta de ofertar uma experiência pouco usual em algo que é possível categorizar informalmente como uma história de terror. Não somente ectoplasmas assombram as visões de Maureen, como também um stalker que lhe envia mensagens no celular que pode muito bem ser Lewis, induzindo a uma conversação instantânea conduzida com interesse por Assayas e que toma todo o segundo ato de seu filme.

Outra decisão que enriquece o seu mistério é uma consequência física que insere quando se deduz que respostas começarão a ser apresentadas, nebulando as certezas tanto da protagonista quanto a nossa. A lamentar somente o apego obsessivo justamente por esta busca por uma verdade que possa anular todas as demais, vinda com uma conclusão que dignificaria “Personal Shooper” muito mais caso tivesse cinco segundos a menos.

Data:
Filme:
Personal Shooper
Avaliação:
3
Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

2 Comentários em Resenha Crítica | Personal Shopper (2016)

  1. Kristen Stewart sempre foi uma ótima atriz, apesar da trilogia “Crepúsculo” e tudo o que envolveu isso ter estado em seu caminho. Gosto dela e feliz de vê-la trabalhando como ótimos diretores como Assayas.

    • Kamila, adoro a Kristen Stewart, uma atriz que acompanho desde o seu primeiro filme, que foi “Encontros do Destino”. A verdade é que há muitos haters de “Crepúsculo” e, consequentemente, da Kristen, e que ainda não captaram que o momento que ela vive hoje em sua carreira já é totalmente diferente. Ela segura muito bem as pontas aqui e penso ser um desafio imenso responder por uma produção europeia.

Comente

Follow

Get every new post on this blog delivered to your Inbox.

Join other followers: