Resenha Crítica | A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell (2017)

Ghost in the Shell, de Rupert Sanders

Em uma contemporaneidade na qual a tecnologia avançou ao ponto de viabilizar a confecção de robôs com capacidade de obedecer a muito mais que uma dúzia de comandos, os laços da realidade com a ficção científica andam se estreitando cada vez mais. Baseado tanto no mangá de 1989 escrita por Masamune Shirow quanto no longa animado de 1995, “A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell” trata essencialmente dessa questão, ambientando a sua história em um futuro indeterminado, mas próximo.

Interpretada por Scarlett Johansson, a protagonista Major é a primeira de sua espécie, com uma anatomia robótica denominada como uma “concha” que abriga o “fantasma” de um ser humano. No caso, o cérebro de uma jovem que teria sido uma das vítimas de uma explosão e que agora recebe a sua segunda chance para servir a um propósito maior.

Com a parceria de Batou (Pilou Asbæk) e a supervisão de Aramaki (Takeshi Kitano, que não se presta a falar em inglês), Major lidera uma missão para interromper os crimes cibernéticos de Kuze (Michael Pitt), que estaria se infiltrando como um hacker na consciência de humanos constituídos de ciber-cérebros. Porém, o curso dessa caçada a reconecta com o seu eu anterior, o qual desconhecia por apenas ter fragmentos de memórias.

Mesmo não debutando do modo mais promissor com “Branca de Neve e o Caçador”, o inglês Rupert Sanders prova que é dono de um apuro estético dos mais arrojados, recriando um cenário futurístico à lá “Blade Runner”. Além da imaginação para apontar abismos sociais, dos edifícios periféricos aglutinados à uma metrópole tomada por hologramas gigantes, impressiona a caracterização de personagens, como as gueixas robôs que cometem um ataque terrorista.

Porém, o deslumbre visual, por vezes comprometido por um excesso de profundidade de campo que borra a bela cenografia digital, não reduz o fator humano tão importante em premissas como a de “A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell”. Mesmo polêmica, a escalação de Scarlett Johansson não traz prejuízos para um elenco essencialmente globalizado (com destaque para a francesa Juliette Binoche e a romena Anamaria Marinca em um papel que merecia ser mais amplo), correspondendo dramaticamente ao peso de se viver em um contexto no qual até mesmo a nossa consciência é ofertada e manipulada.

Data:
Filme:
A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell
Avaliação:
3
Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

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