Resenha Crítica | Velozes e Furiosos 8 (2017)

The Fate of the Furious, de F. Gary Gray

Após Chris Morgan assumiu as rédeas do argumento de “Velozes e Furiosos” com “Desafio em Tóquio” e conseguir reunir outra vez Vin Diesel e Paul Walker para o protagonismo dela com o quarto episódio, a franquia passou por um processo de repaginada com “Velozes e Furiosos 5”. Quando não parecia mais haver luz no fim do túnel, “Velozes e Furiosos” não somente voltou a ser encarado como um bom negócio, mas também como o responsável por uma fórmula secreta que o fez ser visto como um produto digno para a crítica especializada e para a obtenção de novos fãs.

Por um lado, se a repetição incansável de tal fórmula é impossível de ser ignorada mesmo no sétimo episódio, no qual a trágica morte de Paul Walker fez com que o curso das filmagens fosse radicalmente modificado para comportar uma homenagem que comoveu a todos, por outro “Velozes e Furiosos” chega agora à oitava parte propondo dinâmicas que dão novos ares a um porto seguro. É o melhor filme da cinessérie desde o longínquo original, produzido lá em 2001.

Isso certamente acontece pela presença do americano F. Gary Gray na direção, que há pouco mais de um ano voltou a ser um nome a se atentar com o sucesso estrondoso de “Straight Outta Compton: A História do N.W.A.”. Quem viu o melhor dele (“Até as Últimas Consequências”, “A Negociação” e “Uma Saída de Mestre”), sabe que o sujeito entende do riscado, dando ao movimento alguma consistência.

A família em primeiro lugar continua sendo o principal lema defendido por Dominic Toretto, o personagem de Vin Diesel. No entanto, aqui ele comete uma auto sabotagem ao trair os seus parceiros de ilegalidade em uma operação conjunta com Luke Hobbs (Dwayne Johnson), policial com distintivo cassado. A razão é Cipher (Charlize Theron), uma mulher enigmática que o manipula por razões que serão elucidadas mais adiante.

Todos estão inconformados, especialmente a sua mulher Letty (Michelle Rodriguez). Ainda assim, ela, Roman (Tyrese Gibson), Tej Parker (Ludacris) e Ramsey (Nathalie Emmanuel) seguem empenhados em auxiliar o Mr. Nobody (Kurt Russell) para interromper uma série de ataques de cunho terrorista liderada por Toretto. Neste time, há o ingresso de uma figura inesperada: Deckard (Jason Statham), o vilão das aventuras sobre rodas anteriores.

Os entrechos dramáticos são estapafúrdios, incluindo o uso de Elena (Elsa Pataky), personagem que só serve aqui para atender a uma resolução conveniente para Toretto. Por outro lado, a ação ganha em doses de imaginação, com Gray orquestrando uma manipulação de carros em uma perseguição na Rússia durante o dia simplesmente bárbara. O humor tolo também funciona perfeitamente, gerando inclusive uma participação inusitada de Helen Mirren. Com um jogo de nada é o que parece que não tem lá muito mistério, a franquia finalmente chega a um degrau em que parece não se conformar só com o mais do mesmo, provando que tem fôlego para ir adiante.

Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

2 Comentários em Resenha Crítica | Velozes e Furiosos 8 (2017)

  1. Se dependesse de mim, essa franquia tinha sido finalizada com a sétima parte, cujo final foi muito digno, com a homenagem a Paul Walker. Ali, eu senti um senso de conclusão nessa história. Por isso mesmo, talvez, não tenha me interessado muito por essa oitava parte da franquia.

    • Eu também acho, Kamila, ainda que o sétimo não seja um filme que eu particularmente goste muito. Mas eu entendo o desejo de seguir adiante e a resposta do público tem sido impressionante.

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