Resenha Crítica | As Falsas Confidências (2016)

Les fausses confidences, de Luc Bondy

Por mais convencional que seja, pode-se dizer que “As Falsas Confidências”, canto do cisne de Luc Bondy, é um projeto puramente experimental. Nascido na Suécia, o realizador estreou em janeiro de 2014 uma peça homônima no Teatro Odéon, em Paris. No curso do calendário de apresentações, aproveitou as folgas matutinas para reunir o mesmo elenco para uma versão cinematográfica.

Com o falecimento de Bondy aos 67 anos em 2015, restou à sua esposa Marie-Louise Bischofberger finalizar o filme, originalmente submetido a um lançamento incomum, com cópias em DVD sendo disponibilizadas para venda poucos dias antes de sua transmissão na tevê francesa. Conhecer o percurso de “As Falsas Confidências” não deve comprometer a sua experiência quanto a cinema, no entanto.

Um dos fatores da obra funcionar individualmente vem de sua linguagem corresponder mais ao cinema do que ao teatro. Mesmo desenvolvida em um único cenário (há somente duas tomadas externas), a narrativa é pensada para atender às grandes telas e não ao público diante de um palco.

Ainda assim, há um teor altamente antiquado no texto originalmente concebido por Pierre Carlet de Chamblain de Marivaux, influente jornalista e dramaturgo do século XVII. Nele, o jovem Dorante (Louis Garrel) se candidata à vaga para atuar como secretário de Araminte (Isabelle Huppert), por quem é secretamente apaixonado. De um lado, há pessoas que conspiram para a possível união entre dois indivíduos separados por um abismo social, como Dubois (Yves Jacques), o tio de Dorante. Do outro, há outras que não formam uma primeira impressão favorável sobre o sujeito, como Madame Argante (Bulle Ogier), mãe de Araminte.

Ainda que como uma típica comédia de costumes consiga assegurar alguma graça principalmente por suas situações de encontros e desencontros, “As Falsas Confidências” parece excessivamente preso à época de sua primeira encarnação, soando ingênuo na exposição de personagens movidos unicamente por amor ou ganância. De qualquer modo, há algum prazer em acompanhar Louis Garrel e Isabelle Huppert voltando a contracenar juntos dentro de uma proposta oposta ao radical e questionável “Minha Mãe”, de 2004.

Data:
Filme:
As Falsas Confidências
Avaliação:
2
Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

2 Comentários em Resenha Crítica | As Falsas Confidências (2016)

  1. Louis Garrel e Isabelle Huppert são dois grandes atores. Acredito que só por eles já vale assistir a este filme.

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