Resenha Crítica | Gostosas, Lindas & Sexies (2017)

Gostosas, Lindas & Sexies, de Ernani Nunes

Mesmo que o cinema também sirva como reflexo de uma realidade, é assustador como ainda é preciso discutir representatividade na tela mesmo após mais de um século de criação dessa arte. Cada vez mais, o público exige uma diversidade de personagens que consigam ir além dos padrões de forma e cor em histórias que sejam capazes de tratar de gente como a gente, mesmo em registros pouco críveis, como o fantástico.

Ainda que o cartaz de “Gostosas, Lindas & Sexies” pareça uma cópia descarada de “Sex and the City”, é certo que essa comédia de Ernani Nunes deve exercer uma função social, sendo a primeira a trazer um quarteto de amigas plus size. Mas vale um adendo para as mulheres que questionam os padrões dos manequins: aqui, o combate de um preconceito acaba alimentando vários outros.

Beatriz (Carolinie Figueiredo), Ivone (Cacau Protásio), Marilu (Mariana Xavier) e Tânia (Lyv Ziese) são melhores amigas e sempre encontram em suas agendas um espaço livre para saírem juntas. É uma verdadeira irmandade, com cada uma apoiando a outra em momentos de adversidades.

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ENTREVISTA COM CAROLINIE FIGUEIREDO E CACAU PROTÁSIO

Como acontece quando Beatriz, uma mulher comprometida com Daniel (André Bankoff) que acaba pulando a cerca com um colega de trabalho, o fotógrafo Sebastian (Marco Antonio Caponi), após uma noite de bebedeira. Ou com Tânia, que está presa a um casamento sem sal e que busca se firmar em um campo artístico.

Ivone também tem suas crises, buscando um bom partido para fazer com que os seus filhos, uma caucasiana e um asiático – ela é negra -, parem de questioná-la sobre a paternidade. Já Marilu, que se desdobra em vários empregos, tem dificuldades em dizer não para um relacionamento com um rapaz bem mais jovem, que vem a ser o seu aluno nas aulas de inglês.

Como se vê, os conflitos são tolos demais para se levar a sério qualquer mensagem positiva sobre o tipo de mulher moderna que se exalta aqui, ainda que Nunes, um diretor estreante oriundo da publicidade, busque associar a aceitação que cada uma delas tem com a própria imagem com a elaboração de planos em que nos deparamos com os seus reflexos.

A verdade é que tudo trabalha em favor de um texto altamente questionável de Vinícius Marques, capaz de ofender a qualquer tipo de indivíduo presente em uma plateia. Existe uma tentativa de compreender os dilemas amorosos de Beatriz, mas o roteiro não mede esforços em penalizar o marido de Tânia e a sua amante, rendendo uma cena de baixaria constrangedora em um restaurante.

Valoriza-se a atitude nobre das personagens não abrirem mão de quem são para atender às padronizações, mas estas se sujeitam ao ridículo a partir do namoro antiético entre professora (no caso, Marilu) e aluno, entre sequestrador e sequestrada (aqui, Ivone). Há um desfile de mulheres desprezíveis julgando cada protagonista pelo seu peso, mas Tânia diz que seu “negócio” é homem quando aparece a única a lhe prestar algum comentário amigável. Um filme que soa moralmente nocivo até mesmo para o maior apreciador do politicamente incorreto.

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ENTREVISTA COM LYV ZIESE E MARIANA XAVIER

Data:
Filme:
Gostosas, Lindas & Sexies
Avaliação:
1
Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

2 Comentários em Resenha Crítica | Gostosas, Lindas & Sexies (2017)

  1. Por isso que eu não assisto mais a esse tipo de filme, Alex. Estou fora de tramas degradantes para as mulheres!

    • Pois é, Kamila. O triste é que a intenção certamente era outra. Ao defender o protagonismo plus size, o filme acaba desenvolvendo uma série de outros insultos que atingem a todos da plateia.

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