Resenha Crítica | Fatima (2015)

Fatima, de Philippe Faucon

Em 2015 e 2016, o César Award, também conhecido como o Oscar francês, laureou em Melhor Filme duas produções pouco usuais, no sentido de não se aterem à cultura francesa. Também indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, “Timbuktu” desbancou há dois anos uma concorrência bem tradicional da cinematografia francesa com o seu relato forte sobre a ocupação do Estado Islâmico na África Ocidental. Já no ano passado, “Fatima” cativou por acompanhar uma mãe muçulmana de duas jovens na França.

É graças aos prêmios citados em seu cartaz que o filme de Philippe Faucon desembarca ao Brasil, podendo aquecer um pouco os debates tão em pauta sobre estrangeiros que buscam construir uma nova vida longe da terra natal. Mas não o suficiente, tornando-se rapidamente esquecível especialmente pela falta de firmeza de Faucon como condutor das imagens e do texto de “Fatima”.

Sem o auxílio de um companheiro, Fatima (Soria Zeroual) ainda dá o sangue sozinha para assegurar uma vida digna às filhas Nesrine (Zita Hanrot) e Souad (Kenza Noah Aïche). Além de cumprir uma jornada fixa como faxineira, Fatima também se desdobra na mesma função em casas de família, às vezes sendo submetida à armadilhas para que a sua confiança seja testada, como a patroa que intencionalmente deixa dinheiro no bolso da calça do filho para avaliar se ela cometerá furto.

É uma vida de cão que Fatima enfrenta sem ceder e sem apoio, pois Nesrine está excessivamente concentrada nos estudos para cursar medicina e Souad a retribui com uma série de desaforos, como a de assumir a vergonha pela ocupação de sua mãe. Instantaneamente, vem as provações de uma protagonista enclausurada em uma nação em que poucos partilham do mesmo credo.

Se existe alguma veracidade no drama, deve-se mais ao fato de Faucon ter se inspirado em uma figura real. Trata-se de Fatima Elayoubi, que eternizou em livros autobiográficos cada um dos leões que matou diariamente. Ainda que conte com um ótimo desempenho de Soria Zeroual, que elimina o clamor por piedade ao enfatizar a integridade mantida até o fim por Fatima, existe uma frouxidão narrativa evidente especialmente pela duração enxuta de 79 minutos, promovendo conflitos por vezes esquecidos ou não resolvidos a contento. Fatima merecia mais.

Data:
Filme:
Fatima
Avaliação:
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Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

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