Resenha Crítica | Ninguém Entra, Ninguém Sai (2017)

Ninguém Entra, Ninguém Sai, de Hsu Chien Hsin

Com o politicamente incorreto imperando no humor brasileiro, há sempre uma expectativa para que exista alguém que quebre as convenções tratando abertamente sobre temas tabus, como costumava fazer o seriado “Os Normais”, transportado com relativamente sucesso para os cinemas a partir de dois filmes. Bem que “Ninguém Entra, Ninguém Sai” poderia surfar nessa mesma onda, mas o que se vê é justamente um projeto que se intimida em mergulhar naquilo que promete.

Nascido em Taiwan e naturalizado já na infância no Brasil, Hsu Chien Hsin tem um currículo invejável como assistente de direção e diretor de novelas e curtas-metragens. Porém, a sua primeira vez à frente de um longa de ficção fica a dever por somente atender às demandas de um projeto de encomenda que não lhe autoriza qualquer marca autoral.

Adaptação de Paulo Halm da crônica “No Motel”, escrita em 2009 por Luis Fernando Verissimo, “Ninguém Entra, Ninguém Sai” reúne uma dúzia de casais improváveis em um motel do Rio de Janeiro chamado Zeffiro’s, imediatamente botada em quarentena quando se tem notícia de um funcionário chamado Donizete (Paulinho Serra) saiu do local aparentemente infectado com um vírus desconhecido e mortal. A Polícia Federal impede que o “escândalo” seja espalhado na mídia e resta aos hóspedes curtirem a reclusão com muito sexo.

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ENTREVISTA COM O DIRETOR HSU CHIEN HSIN

Entre eles, há a juíza Letícia (Danielle Winits) e o seu segurança Acauã (Tatsu Carvalho), o malandro Edu (Emiliano D’Ávila) com a sua namorada Suellen (Letícia Lima) e Caju (João Côrtes), namorado virgem de Bebel (Bella Piero) que vem a ser também o filho de Letícia. No entanto, vale a pena ficar de olho é em Guta Stresser como Francisca, a faxineira do Zeffiro’s com tiques psicóticos, e em Mariana Santos como Margot, solteirona que visualiza no assaltante Alexandre (Rafael Infante) um pretendente em potencial.

Com essa premissa, a produção, com censura 12 anos, é ofertada como um programa família, e a sensação é a mesma de tomar cerveja sem álcool. Além do mais, o roteiro se resume a uma colagem de situações características da crônica original, sendo bem desastrado quando precisa ir além para o planejamento de resoluções, como se cobrasse do espectador uma ingenuidade desmedida para comprar a causa do “fundamentalismo” de Francisca ou o resultado de toda a investigação médica sobre o vírus – somente para ficar em alguns exemplos. Talvez  Hsu Chien tenha melhor sorte em seu próximo projeto, “Má Adolescência”, em que avaliará a face obscura da juventude.

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ENTREVISTA COM JOÃO CÔRTES E EMILIANO d’AVILA

Data:
Filme:
Ninguém Entra, Ninguém Sai
Avaliação:
1
Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

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