Resenha Crítica | Feud: Bette and Joan (2017)

Feud: Bette and Joan, criada por Jaffe Cohen, Michael Zam e Ryan Murphy e dirigida por Ryan Murphy, Gwyneth Horder-Payton, Liza Johnson, Tim Minear e Helen Hunt

Maiores estrelas de Hollywood nos anos 1930 e 40, Bette Davis e Joan Crawford eram também grandes rivais. Além de inicialmente pertencerem a estúdios concorrentes, com Bette protagonizando grandes êxitos artísticos e comerciais da Warner Bros. enquanto Joan expandia o mito de musa à frente de projetos da MGM, ambas disputaram homens e papéis.

O que não falta na indústria americana de cinema é a troca de farpas entre artistas e realizadores, mas nenhum “feud” (ou conflito) se equipara ao protagonizado por Bette e Joan, encontrando o seu ápice na reunião das duas atrizes em “O Que Terá Acontecido a Baby Jane?”, hoje um dos grandes clássicos do cinema e fundador do subgênero hagsploitation, este marcado por thrillers protagonizados por veteranas. Pois é nesse período de produção do grande filme de Robert Aldrich (Alfred Molina) que inicia “Feud: Bette and Joan”.

A concepção da narrativa de certo modo não se desvincula desta aura de impressões que se tem sobre o relacionamento tumultuado de Bette e Joan, encenando a produção de um documentário que traz outras estrelas consagradas do cinema, como Olivia de Havilland (Catherine Zeta-Jones), Victor Buono (Dominic Burgess) e Joan Blondell (Kathy Bates), compartilhando algumas vivências com elas. Algumas correspondem aos fatos, como vemos a partir das encarnações de Susan Sarandon como Bette e Jessica Lange como Joan.

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FEUD: FILMES PARA ASSISTIR COM BETTE DAVIS E JOAN CRAWFORD

Com esse feud tão notório, Ryan Murphy, em parceria com Jaffe Cohen e Michael Zam, desenha ao longo de oito episódios os meandros da intriga que sustentaram. Porém, muito além do humor um tanto perverso que tudo isso proporciona, há uma investigação de quem realmente eram essas mulheres e do ambiente cruel que habitavam, característica escondida em meio a tanto glamour.

É, portanto, uma justiça que se faz ao legado de atrizes tão controversas quanto talentosas, com reputações manchadas tanto pelos livros autobiográficos publicados por suas filhas quanto pelo segundo plano ao qual foram relegadas enquanto avançavam na idade. O declínio da Era de Ouro em Hollywood que adentramos aqui é cruel especialmente para as mulheres, que perdiam o seu protagonismo nas telas ou tinham o desejo de desempenhar uma função decisiva atrás das câmeras sabotado por um men’s business, como bem ilustra a assistente de Aldrich, Pauline Jameson, uma personagem fictícia vivida pela notável Alison Wright.

Muito além de uma perícia cirúrgica para recriações de grandes momentos, como todo o quinto episódio, “And the Winner Is… (The Oscars of 1963)”, que traz a maior cerimônia do Oscar que já se viu na ficção, há dois movimentos paralelos que em choque constatam que, mesmo totalmente opostas, Bette Davis e Joan Crawford eram quase a mesma pessoa. Duas personalidades que desconheciam o poder que teriam unidas, sucumbindo a um jogo que lhes custaram para reconhecer que já não estavam mais no topo, mas que “Feud: Bette and Joan” ainda assim se permite a encerrar com uma reconciliação – mesmo ela fruto de um delírio.

Data:
Filme:
Feud: Bette and Joan
Avaliação:
5
Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

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