Resenha Crítica | A Autópsia (2016)

The Autopsy of Jane Doe, André Øvredal

A exploração (ou a violação) da anatomia humana em seus mínimos detalhes é sem dúvida uma das imagens mais impactantes que o gênero terror pode proporcionar para o seu público. E quando ela é executada com perícia, removendo tudo o que nos compõem internamente, a nossa sensibilidade é ainda mais agredida.

Portanto, o maior mérito de “A Autópsia” vem justamente a ser a dissecação do corpo já sem vida da atriz Olwen Catherine Kelly, que sem esboçar qualquer reação nos causa o maior dos arrepios. Pior: além dos cortes com bisturi e das remoções de órgãos, há uma série de enigmas mapeados sob a pele de Jane Doe, como se chama lá fora um cadáver feminino com a identidade desconhecida.

Tommy (Brian Cox) e Austin (Emile Hirsch, hoje com 32 anos e que parece não envelhecer) são pai e filho e passam a maior do tempo juntos atuando como legistas. A eles é delegada uma missão de última hora, sendo a de identificar até o fim do período noturno a causa da morte de uma jovem encontrada semienterrada e sem qualquer indício externo de violência.

Há muitas coisas incomuns. Primeiro é a falta de rigidez de um corpo há muito sem vida. Segundo vem a ser os pulsos e tornozelos fraturados sem nenhum hematoma ou luxação. Mais adiante, com o tórax já aberto, nota-se uma série de mutilações. dando à narrativa toques sobrenaturais.

Norueguês revelado no cult “O Caçador de Troll”, André Øvredal ambicionou o gênero como a melhor opção para fazer um segundo longa-metragem de ficção. Até a metade, “A Autópsia” é uma materialização impecável desse desejo, demonstrando domínio sobre a tensão concentrada em um único ambiente e com raras intervenções externas.

Já na metade final, soa mais forte a presença do texto assinado pela dupla Ian B. Goldberg e Richard Naing e no qual Øvredal parece engessado para corresponder, encaminhando “A Autópsia” para elucidações inconvincentes, mesmo para um personagem como Tommy, veterano que passa a discorrer com propriedade sobre conceitos que certamente desconhece. É como se o corpo em que se ateia fogo fosse também o próprio filme.

Data:
Filme:
A Autópsia
Avaliação:
2
Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

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