Resenha Crítica | Alien: Covenant (2017)

Alien: Covenant, de Ridley Scott

Não há um manual disponível ao público sobre o perfil que é preciso ter para ser o tripulante de uma nave colonizadora, mas certamente nenhum dos tipos presentes em “Alien: Covenant” chega a corresponder minimamente o que se espera de um. Uma constatação que vem logo nos primeiros instantes, nos quais nos deparamos com mais uma das inúmeras aparições narcisistas de James Franco, aqui como o líder de Covenant, que transporta mais de 2 mil passageiros para um planeta a ser explorado.

Em uma missão na qual o fracasso é uma possibilidade, também soa óbvio que o time escalado não sustente componentes que tenham relações estreitas, sejam elas familiares ou amorosas. No entanto, há uns três ou quatro casais aqui que só ampliariam as possibilidades de tudo dar errado em situações de risco.

Por fim, é esperado que todos tenham um preparo militar e científico. Afinal, não é qualquer indivíduo que sabe manejar uma arma para enfrentar uma ameaça ou que tenha a resistência para suportar todas as instabilidades de um novo ambiente, como as imprevisibilidades de um ecossistema diferente da Terra.

Tais explanações são descartáveis, é verdade. Entretanto, é certo que Dante Harper e John Logan, o primeiro um novato e o segundo um sujeito que ostenta três indicações ao Oscar, ignoraram na feitura de “Alien: Covenant” a importância de um processo chamado tratamento de roteiro, em que uma versão substitui a anterior como medida para enriquecer algo que posteriormente ganhará vida.

Aqui, quem caçoou de Charlize Theron por correr em linha reta em “Prometheus” terá possibilidades infinitas para rir de vergonha alheia ou sofrer tamanho o descontentamento com uma galeria de personagens imbecilizados, que reagem ao perigo com maior estupidez que uma mocinha qualquer de um slasher movie de quinta. O pouco que se sustenta, Ridley Scott faz questão de demolir com uma direção que parece de principiante – o que é a cena da ducha? Como não levar a palma da mão ao rosto diante de um Xenomorfo saudando um não-humano?

O que parece como uma obra à parte da mitologia “Alien” logo demonstra mais conexões com “Prometheus” além do androide vivido por Michael Fassbender. Oram (Billy Crudup) assume as rédeas de Covenant após uma fatalidade que matou Branson (papel de Franco) e muda os planos ao fazer uma parada não planejada no planeta em que Elizabeth Shaw (Noomi Rapace) estava há dez anos, atendendo a uma frequência que parece clamar por socorro. A primeira a contestar é Daniels (Katherine Waterston), justamente a parceira Branson.

O que era em “Alien, o Oitavo Passageiro” o conceito exemplarmente defendido de manter o instinto de sobrevivência no espaço, se transforma agora na atual armadilha do universo expandido, uma desculpa esfarrapada para ressuscitar franquias de grandes estúdios ávidos por rendimentos extras. O resultado não poderia ser mais deplorável, pois quanto mais Ridley Scott busca explorar as relações entre criador e criatura, mais prova desconhecer a forma perfeita que concebeu há quase 40 anos.

Data:
Filme:
Alien: Covenant
Avaliação:
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Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

1 Comentário em Resenha Crítica | Alien: Covenant (2017)

  1. Bom, Alex, sua resenha crítica foi suficiente para não me deixar com vontade de assistir a esse “Alien: Covenant”.

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