Resenha Crítica | Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar (2017)

Pirates of the Caribbean: Dead Men Tell No Tales, de Espen Sandberg e Joachim Rønning

Pensado originalmente como uma trilogia caso o sucesso esperado com “A Maldição do Pérola Negra” fosse atingido, a agora franquia “Piratas do Caribe” se transformou em um carro-forte para a Disney, tendo em 2011 ganhado um quarto episódio, “Navegando em Águas Misteriosas”, que mundialmente bateu a barreira do 1 milhão de dólares em arrecadação. Após um intervalo de seis anos, o maior comparado aos anteriores, “A Vingança de Salazar” chega com o desafio de comprovar se as aventuras capitaneadas por Jack Sparrow ainda são relevantes.

A resposta é um amargo não. Adaptação de uma atração do Walt Disney World, “A Vingança de Salazar” apresenta um roteiro que, sem ideias substanciais, parece navegar sem uma bússola. E isso é evidente não somente por um primeiro ato um tanto caótico em que quatro tramas se desenham, como também quando se chocam adiante para como uma rumar para um interesse em comum: o Tridente de Poseidon, que proporcionará ao seu dono o domínio dos mares.

Quem o cobiça é o capitão Salazar (Javier Bardem), que tem toda a sua tripulação amaldiçoada, toda convertida em figuras fantasmagóricas que não podem pisar em terra firme. Jack Sparrow é seu inimigo número um e, além do pirata embriagado em seu momento mais decadente, há outros personagens no jogo, como Carina Smyth (Kaya Scodelario), astrônoma acusada de bruxaria por uma sociedade ignorante, e Henry (Brenton Thwaites), filho de ninguém menos que Will Turner (Orlando Bloom) e Elizabeth Swann (Keira Knightley).

Talvez o seu papel mais icônico, não há como negar que Johnny Depp prossegue irreverente como o pirata Jack Sparrow, mas a sensação é de que fatores externos que mancharam o histórico privado do ator comprometeram diretamente algumas decisões em  “A Vingança de Salazar”, colocando-o em muitos instantes em uma desconfortável posição secundária. As filmagens, inclusive, estavam finalizadas em julho de 2015, mas toda a equipe precisou se reencontrar para gravações adicionais entre março e abril do ano passado, um dado de bastidores que nem sempre reflete positivamente na pós-produção.

É uma pena, entretanto, que o fardo de carregar “A Vingança de Salazar” esteja a cargo da dupla de noruegueses Espen Sandberg e Joachim Rønning, aqui fazendo malabarismos com uma narrativa tão aquém de uma visão tão refinada para algo envolto a paredes de green screen. Além de gags visuais impagáveis, como os giros em 360º com Jack Sparrow preso a uma guilhotina, há aqui uma imersão de um ambiente selvagem e instável que só os responsáveis por “Expedição Kon Tiki” poderiam proporcionar, pensada desde os movimentos de Salazar (como se estivesse permanentemente dentro da água) até um clímax em que o mar se divide em dois, exuberante como mergulhar em um aquário gigante. É um belo embrulho para um presente oco.

Data:
Filme:
Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar
Avaliação:
2
Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

1 Comentário em Resenha Crítica | Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar (2017)

  1. Sinceramente, Alex, dispenso esse filme! Não aguento mais essa necessidade de Hollywood de ficar revisitando personagens legais com filmes com tramas ruins! Chega dessas continuações vazias!

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