Resenha Crítica | Dégradé (2015)

Dégradé, de Arab Nasser e Tarzan Nasser

Estreia dos irmãos gêmeos Arab e Tarzan Nasser na direção de longa-metragem, “Dégradé” pretende fazer uma contribuição para a cinematografia palestina com um tema recorrente: o terror e a opressão diária enfrentadas por aqueles que vivem na Faixa de Gaza. Porém, ao menos em seu ponto de partida, a dupla pretende propor uma dinâmica incomum para a exposição de tantas divergências ideológicas com consequências explosivas.

Isso acontece porque o único cenário de “Dégradé” é um salão de beleza e nele há somente a presença de mulheres, instaurando um ambiente em que a vaidade é secretamente alimentada em paralelo com a exposição de opiniões não autorizadas fora daquele cômodo com poucos metros quadrados. A sua proprietária é a imigrante russa Christine (Victoria Balitska), que recebe ali os mais variados perfis femininos.

Há 13 deles, desde a grávida Fatima (Samira Al Aseer) até a divorciada e liberal Eftikhar (Hiam Abbass, sempre excelente). Embora integrantes de um mesmo espaço, cada uma tem uma maneira de se colocar no mundo como mulher, variando a partir dos credos, da composição familiar, do histórico que sustentam ou mesmo a idade.

Exibido na Semana da Crítica no Festival de Cannes e no Festival de Toronto em 2015, essa realização também roteirizada pelos Nasser corresponde muito bem aos anseios do gênero, enclausurando essas mulheres enquanto o mundo externo separado por uma porta de enrolar há homens resolvendo as suas diferenças com a irracionalidade de agentes da guerra. Existe também entre elas um enfrentamento físico, mas a resposta para o desespero, para o limite, vem a ser justamente a união e a cumplicidade.

Pena que a execução fique a dever. Além de níveis extremos de tom, “Dégradé” soa por demais teatral especialmente por uma sonoplastia que nem sempre sustenta a ilusão de que tudo fora da redoma que as protegem está sucumbindo às ruínas. Há também uma conclusão desapontadora, reforçando com uma imagem que se pretende emblemática uma selvageria já tão óbvia ao contexto.

Data:
Filme:
Dégradé
Avaliação:
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Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

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