Resenha Crítica | Inseparáveis (2016)

Inseparables, de Marcos Carnevale

A amizade nascida a partir do relacionamento profissional entre Philippe Pozo di Borgo e Abdel Sellou rendeu aquela que é a história mais edificante já levada aos cinemas nos últimos anos. São eles que inspiraram os protagonistas de “Intocáveis”, o longa-metragem francês mais assistido em quase 20 países. E o melhor: a ficção valorizou a excentricidade da sintonia entre Philippe e Abdel sem cair no sentimentalismo barato, sem dúvida o ingrediente secreto que determinou o seu sucesso estrondoso.

O problema é que a popularidade de “Intocáveis” é tão vistosa que alguns espertinhos começaram a viabilizar em cima da história com adaptações que não tiram e nem põem. Quem saiu na frente foi José Rubens Siqueira, que ao menos foi inventivo ao levá-la aos palcos. Já pouco faz o remake argentino “Inseparáveis”, que de mudança radical mesmo tem somente a etnia de Driss (Omar Sy), transformado em Tito e agora interpretado por Rodrigo De la Serna.

Somente os poucos que não viram o original dirigido por Eric Toledano e Olivier Nakache devem se entusiasmar com a agora velha premissa de um tetraplégico milionário, Felipe (Oscar Martínez), que cansou de ter os mesmos assistentes pessoais padronizados de sempre. Decide assim apostar em Tito, antes contratado para auxiliar nos serviços de jardinagem em sua mansão. Com jeitão de malandro, o sujeito não tem aptidão alguma para o ofício, o que Felipe considera perfeito para dar novos ares à situação em que está confinado.

Responsável pela direção e roteiro, Marcos Carnevale tem em seu currículo dois títulos já refilmados em outros países, sendo “Coração de Leão – O Amor Não Tem Tamanho” (refeitos pelos colombianos em “Corazón de Léon” e pelos franceses em “Um Amor à Altura”) e “Elsa & Fred” (adaptado em inglês no filme homônimo de Michael Radford). Agora no time de quem se apropriou do argumento alheio, Carnevale sequer revê a questão dos abismos sociais, tão forte em “Intocáveis” e aqui reprisado como um mero empecilho.

A sensação de estar assistindo pela segunda vez uma mesma história em versão inferior em todos os sentidos transforma em aborrecimento um entretenimento que deveria correr prazeroso e emotivo, tornando inclusive pesada a razoável duração de 108 minutos. Só não é mais indigesto porque Rodrigo De la Serna e especialmente Oscar Martínez fazem milagres quando unidos, não devendo muito a Omar Sy e François Cluzet. E tem versão americana vindo por aí…

Data:
Filme:
Inseparáveis
Avaliação:
2
Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

2 Comentários em Resenha Crítica | Inseparáveis (2016)

  1. Já não sou muito fã do original(que funcionava muito pela quimica entre Omar Sy e François Cluzet) e não tem sentido essa história ser refilmada.Vamos aguardar a versão americana com roteiro de Paul Feig e elenco de primeira(Bryan Cranston,Kevin Hart e sua musa Nicole Kidman).

Follow

Get every new post on this blog delivered to your Inbox.

Join other followers: