Resenha Crítica | Paris Pode Esperar (2016)

Paris Can Wait, de Eleanor Coppola

Há 14 anos, Diane Lane protagonizou aquele que segue um dos romances mais encantadores produzidos no cinema contemporâneo. A partir das experiências compartilhadas pela escritora Frances Mayes em um livro, Diane a incorporou em “Sob o Sol da Toscana”, lidando com uma versão pouco correspondente com a encarnação literária. É maravilhoso porque a jornada da protagonista está associada muito mais ao encontro de si mesma do que a de uma cara metade para justificar o final feliz.

Pode-se dizer que um dos principais atrativos de “Paris Pode Esperar” é trazer Diane Lane em uma narrativa sintonizada com a que apreciamos no filme de Audrey Wells, no sentido de fazer crescer diante de nossos olhos uma mulher madura em uma terra estranha revendo alguns conceitos formulados sobre o amor, a família, a sua independência e as vocações ocultas. Todas os temas devidamente desenvolvidos com a autonomia que somente uma mulher é capaz de corresponder.

Aqui, Diane é Anne, uma mulher na faixa dos 50 anos que mais parece um adorno para o seu marido Michael (Alec Baldwin), um prestigiado produtor de cinema. A razão de acompanhá-lo em uma edição do Festival de Cannes é de partir com ele logo em seguida para uma viagem para que possam se curtir. Os planos acabam sendo cancelados pela vinda de novos compromissos profissionais, com ela impossibilitada de segui-lo em um voo em decorrência de um incômodo auditivo.

Eis que surge a oferta de Jacques (Arnaud Viard, um ator pouco conhecido por aqui com um carisma singular), um parceiro de Michael, para conduzi-la de carro até o apartamento que tem em Paris. A questão é que o sujeito acaba se revelando aquele estereótipo de francês que adoramos: além de flertador costumaz, Jacques respeita um ritual cerimonioso nos períodos de alimentação e encarna o papel de guia turístico como nenhum outro.

Assim, “Paris Pode Esperar” vai assumindo a estrutura de um walking and talking movie, mas operando uma distinção que se vê em poucos deles: o convite espiritual para o espectador provar os sabores presentes da degustação de um prato até a visita de um cartão-postal. Daí novamente o dever de relembrar “Sob o Sol da Toscana”, pois o desejo de se lançar nas aventuras das personagens de Diane Lane é imediato.

E não é só isso, pois há em “Paris Pode Esperar” alguns traços autobiográficos. Agora com 81 anos, Eleanor Coppola é, como o sobrenome denuncia, esposa de Francis Ford e mãe de Sofia. Só que, ao contrário da família, demorou para materializar em filme as suas ambições artísticas, arriscando-se somente uma vez ou outra na direção de documentários. O debut na ficção é tardio e, ao mesmo tempo, perfeito, pois nada melhor do que testemunhar no crepúsculo de uma vida o surgimento de novas cores.

Data:
Filme:
Paris Pode Esperar
Avaliação:
3
Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

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