Resenha Crítica | A Múmia (2017)

The Mummy, de Alex Kurtzman

Criaturas como o Lobisomem, a Múmia, o Homem Invisível e Frankenstein são algumas dos maiores patrimônios da Universal, tendo as suas primeiras encarnações até hoje exaltadas por suas contribuições na formação do terror dentro da produção americana. O que o estúdio não conseguiu refazer é a fórmula para que novas versões alcançassem alguma relevância dentro de nossa contemporaneidade.

Excetuando “A Múmia” de Stephen Sommers, nenhuma releitura desses monstros emplacou. Há virtudes em “O Lobisomem” ou em “O Fantasma da Ópera”, mas nada o suficiente para se reter na memória o pouco de novo que ofertam. Pior é o caso do “A Múmia” assinado por Alex Kurtzman e que chega agora aos cinemas, pois a sua irrelevância é fruto justamente do que de inédito se constitui.

A estratégia agora é a de copiar o modelo de negócios dos estúdios concorrentes, que buscam gerar lucros com o planejamento de franquias que tenham fôlego a longo prazo a partir da expansão de seus universos particulares. Aqui, sugere-se que teremos uma integração entre monstrengos, sendo o primeiro exemplar do batizado Dark Universe. Se o fracasso de “A Múmia” não for astronômico, já podemos aguardar por “A Noiva de Frankenstein” em fevereiro de 2019, além das atualizações de “O Homem Invisível” e “Frankenstein” a serem respectivamente protagonizadas por Johnny Depp e Javier Bardem.

Tom Cruise interpreta Nick Morton, um aventureiro acompanhado pelo seu melhor amigo Chris Vail (Jake Johnson) em uma missão no Iraque. Após uma sequência de explosões, ele, junto com militares e a arqueóloga Jenny Halsey (a inglesa Annabelle Wallis, de “Annabelle”), descobre a tumba de Ahmanet (Sofia Boutella, a Gazelle de “Kingsman: Serviço Secreto”), que logo é libertada com planos de dominação mundial junto com um parceiro destinado a amá-la.

Roteirista de seriados como “Hawaii Five-0” e “Sleepy Hollow”, Alex Kurtzman havia estreado na direção de um longa de ficção em 2012 com o drama “Bem Vindo à Vida”, atípico avaliando a sua carreira. Já em “A Múmia”, consegue corresponder somente ao que se espera de uma ação com computação gráfica ao menos razoável, nada contribuindo para outros fatores essenciais de uma boa aventura, como a construção de personagem.

Tendo enfrentado um inimigo de outro mundo somente em “Guerra dos Mundos”, Tom Cruise está claramente deslocado em “A Múmia”, encarando tudo com o pique de Ethan Hunt (o espião de “Missão: Impossível”) e incapacitado de lidar com as nuances de um protagonista idiota sujeitado a uma série de provações no ato final. Pior ainda é o humor por vezes inconveniente, tolo, de fazer ter saudades do Brendan Fraser. Porém, o agravante está no uso insípido do Dr. Henry Jekyll de Russell Crowe, antecipando as intenções patéticas da “liga extraordinária” de monstros da Universal. Melhor que pensem mais de duas vezes antes de irem adiante.

Data:
Filme:
A Múmia
Avaliação:
2
Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

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