Resenha Crítica | Stefan Zweig: Adeus, Europa (2016)

Stefan Zweig: Farewell to Europe, de Maria Schrader

Os iniciados em Stefan Zweig podem não saber que o escritor teve uma vida privada tão equivalente à obra que deixou, principalmente no que diz respeito ao sentimento de enclausuramento nos últimos anos de sua existência. Pois o drama biográfico “Stefan Zweig: Adeus, Europa” tem ainda um atrativo extra para os leitores brasileiros, já que a maior parte do registro é concentrada em seu exílio no Brasil.

Judeu nascido na Viena em 1881, Zweig desembarcou em nosso país pela primeira vez no início da década de 1940, já emocionalmente abalado com as previsões que se concretizariam de caos na Europa da Segunda Guerra Mundial. Mais adiante, permaneceria em Petrópolis na companhia de Charlotte Elizabeth Altmann, sua mulher, à distância testemunhando o progresso nazista.

Mais conhecida por seu trabalho como intérprete, a alemã Maria Schrader deixa já claro no esplendoroso plano-sequência do prólogo o que pretende investigar sobre Stefan Zweig. Portanto, embora o escritor seja capturado mais adiante em circunstâncias essenciais para compreender o seu processo criativo, a particularidade de seu perfil que cresce em interesse nessa dramatização é o sentimento de não pertencimento, mesmo em um cenário acolhedor com autoridades que o bajulam.

Econômica, a atuação de Josef Hader é grandiosa principalmente por deflagrar certa melancolia em suas posturas cordiais, também ciente de seu estado privilegiado e, por isso mesmo, nada alheio ao drama de seus semelhantes. Trata-se de uma curiosidade de Schrader mais sobre o homem e menos sobre o artista, corroborando em uma escolha que certamente é mais efetiva para manter aquecido o interesse pelo autor de “Brasil, País do Futuro”.

Data:
Filme:
Stefan Zweig: Adeus, Europa
Avaliação:
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Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

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