Resenha Crítica | Chocante (2017)

Chocante, de Gustavo Bonafé e Johnny Araújo

Quem viveu intensamente os anos 1980 e 1990, sente saudade até hoje. Não à toa, a cultura pop parece dominada pela nostalgia daquela época, pois o que não anda faltando em nossa contemporaneidade são produtos apegados ao passado e endereçados especialmente aos órfãos de uma geração em que tudo era ditado de uma maneira definitivamente particular.

Na comédia nacional “Chocante”, a graça está justamente em uma tentativa de resgate da glória de uma época cercada de looks bregas, músicas chiclete e um jeito mais direto de se abordar as pessoas. E isso acontece no reencontro de componentes de uma boy band, todos vivendo hoje no anonimato.

O quinteto “Chocante” teve uma ascensão e uma queda imediatas. Nas rádios, ficou durante meses no topo das mais pedidas e tocadas. Na ruptura, bastou semanas para ser esquecido. Mais de duas décadas depois, porém, a morte de um deles (digna de entrar no Darwin Awards) rende a possibilidade de um retorno.

O cinegrafista divorciado Téo (Bruno Mazzeo), o oftalmologista do Detran Tim (Lúcio Mauro Filho), o anunciante de ofertas em supermercados Clay (Marcus Majella) e o motorista da Uber Tony (Bruno Garcia) são os agora quarentões que querem se aproveitar das tendências oitentistas/noventistas neste jovem século. Chegam até a recorrer ao empresário Lessa (Tony Ramos, em participação especial) para reviver o “Chocante”, que volta a se completar com a contratação de Rod (Pedro Neschling), um astro teen que não abandona o iPhone.

A primeira metade dessa história é um barato. Além de recriações de época impecáveis e da exposição do fanatismo por artistas que compensavam a inabilidade para compor e cantar com coreografias e refrões difíceis de deletar da memória, o texto, que também conta com as contribuições de Mazzeo e Neschling, manda bem também nas sátiras e no entrosamento entre os personagens. Há até uma ponta inacreditável de Sonia Abrão, a coveira da tevê aberta.

Fica a dever mais adiante, quando o drama invade os desdobramentos de uma história que termina sem clímax. A inspiração por “Ou Tudo ou Nada”, confirmada por Neschling em coletiva de imprensa, é bem evidente. O problema é como a redenção é planejada, em um contexto que pouco corresponde à tentativa de mudança tardia desses personagens errantes e empáticos.

Data:
Filme:
Chocante
Avaliação:
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