10 Filmes Para Assistir na 41ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo

A partir desta quinta-feira, 19 de outubro, começa em São Paulo a Mostra Internacional de Cinema, que neste ano chega em sua 41ª edição. Como tradição, o Cine Resenhas, que faz há alguns anos a cobertura da Mostra, prepara como aquecimento uma relação com 10 títulos imperdíveis da programação, que em 2017 apresentará, entre longas de ficção, animações, documentários, curtas e retrospectivas quase 400 títulos.

Veja a seguir as recomendações com ingressos que certamente serão muito disputados durante a Mostra e o que os tornam tão especiais para serem assistidos pelos cinéfilos antes da confirmação de um provável (ou não) lançamento comercial no país.

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Ana, Meu Amor | Ana, Mon Amour | dir. Cãlin Peter Netzer | Site da Mostra | IMDb | Trailer

Toma conhece Ana enquanto ambos estudam literatura na universidade. Ela tem um leve transtorno mental e sofre de ataques de pânico. Toma a segue por cada um desses lugares escuros onde ela habita. Ele parece estar no controle do relacionamento, mas, na verdade, apenas gravita ao redor de uma mulher que não consegue entender. Quando Ana supera seus medos, Toma permanece sozinho, juntando as peças desse quebra-cabeça e tentando compreender a tempestade pela qual passou.

Por que assistir?: não é fácil apresentar um filme que se destaca com facilidade dentro de uma seleção com três centenas de títulos, mas o romeno Cãlin Peter Netzer conseguiu o feito com “Instinto Materno“, um dos melhores filmes da edição de 2013 na Mostra. “Ana, Meu Amor” é o seu primeiro projeto desde então, tendo sido exibido em competição pelo Urso de Ouro no Festival de Berlim e saindo de lá com um prêmio de contribuição artística para a montadora Dana Bunescu.

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Aos Teus Olhos | dir. Carolina Jabor | Site da Mostra | IMDb

Um jovem professor de natação é acusado pela família de um garoto de sete anos de ter dado um beijo na boca da criança durante uma aula. Antes da denúncia sequer ser comprovada, ele passa a ter sua moral questionada com imensa fúria nas redes sociais por pais, alunos e até funcionários do clube onde trabalha, levando ao envolvimento da polícia. As consequências são inimagináveis.

Por que assistir?: após uma estreia segura na direção com “Boa Sorte“, Carolina Jabor, filha de Arnaldo Jabor, volta com uma história que parece chegar no timing certo, mostrando as consequências dos tempos sombrios de retaliação que vivemos, no qual acusações são feitas sem uma investigação apropriada do contexto. Do Festival do Rio, o filme acaba de sair com quatro prêmios, incluindo Melhor Roteiro.

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As Boas Maneiras | dir. Juliana Rojas e Marco Dutra | Site da Mostra | IMDb | Trailer

Clara, uma solitária enfermeira que vive na periferia de São Paulo, é contratada pela rica e misteriosa Ana para ser babá de sua criança que está para nascer. De maneira inesperada, as duas mulheres desenvolvem um forte vínculo. Porém, uma fatídica noite mudará os seus planos.

Por que assistir?: trata-se do reencontro de Julia Rojas e Marco Dutra como diretores de um mesmo projeto, prometendo trazer com ele os elementos de “Trabalhar Cansa“. Com cinco vitórias no Festival do Rio, o filme também foi contemplado com o Prêmio Especial do Júri no Festival de Locarno.

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Com Amor, Vincent | Loving Vincent | dir. Dorota Kobiela, Hugh Welchman | Site da Mostra | IMDb | Trailer

A vida e a controversa morte de Vincent van Gogh (1853-1890) contadas a partir de suas pinturas e dos personagens que as habitam. A narrativa se desenvolve por meio de entrevistas com personagens próximos ao artista e de reconstruções dramáticas dos eventos que o levaram à morte. O filme apresenta seus mais importantes quadros e o enredo é baseado em cartas escritas por ele. Primeiro longa-metragem feito totalmente em óleo sobre tela.

Por que assistir?: ainda segundo o texto da organização, “Com Amor, Vincent” apresenta os mais importantes quadros do pintor a partir de um enredo baseado em cartas escritas por ele. Mas o seu principal atrativo vem a ser o fato de ser a primeira animação feita totalmente em óleo sobre tela.

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Emma | Il colore nascosto delle cose | dir. Silvio Soldini | Site da Mostra | IMDb | Trailer

Teo trabalha no departamento de criação de uma moderna agência de publicidade. Gentil e charmoso, ele aproveita a vida sendo um mulherengo inatingível. Emma é cega desde os 16 anos, mas isso não a impediu de se tornar uma osteopata. Ela é bonita, animada e tem ótimos amigos. Quando os dois se conhecem, Teo fica hipnotizado pela voz dela. Intrigado e atraído como nunca esteve por uma mulher cega, ele a chama para um encontro.

Por que assistir?: a premissa agridoce pode até sugerir caminhos melodramáticos fáceis de serem antecipados, mas a assinatura do italiano Silvio Soldini, de “Pão e Tulipas” e do excelente “Que Mais Posso Querer”, promete um novo relato contundente sobre relacionamentos contemporâneos entre opostos.

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Happy End | dir. Michael Haneke | Site da Mostra | IMDb | Trailer

Por que assistir?: o Cine Resenhas já assistiu o novo filme do austríaco Michael Haneke. A recepção no Festival de Cannes, em que disputou a Palma de Ouro, pode ter sido até morna, mas o realizador segue exercendo como poucos a arte da provocação, traçando aqui uma radiografia dos abismos sociais colocando no centro de sua câmera (e iPhone) uma família bem abastada que não consegue mais sustentar as máscaras da hipocrisia.

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Loveless | Nelyubov | dir. Andrey Zvyagintsev | Site da Mostra | IMDb | Trailer

Zhenya e Boris estão passando por um terrível divórcio, marcado por ressentimento e frustração. Já com novos parceiros, eles estão ansiosos para recomeçar suas vidas, mesmo que isso signifique a possibilidade de deixar Alyosha, seu filho de 12 anos, em segundo plano. Até que, depois de testemunhar uma das brigas entre os pais, o garoto desaparece.

Por que assistir?: vencedor do Prêmio do Júri do Festival de Cannes, “Loveless” carrega a assinatura do russo Andrey Zvyagintsev, um veterano da Mostra por traz de filmes como ‘Leviatã“, “Elena” e “O Retorno”. Geralmente pessimistas, os seus relatos trazem uma visão de mundo avassaladora, mas é preciso ficar esperto este ano, pois “Loveless” misteriosamente será exibido uma única vez.

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Não Me Ame | Love Me Not | dir. Alexandros Avranas | Site da Mostra | IMDb

Um casal contrata uma jovem imigrante para ser barriga de aluguel e a trazem para morar com eles. Enquanto o homem passa os dias trabalhando, a mulher e a garota se aproximam e aproveitam a vida abastada do casal. Mas por trás de sua alegria forçada, a mulher parece cada vez mais deprimida. Depois de uma discussão com a jovem, ela sai para dar uma volta de carro. Na mesma noite, o marido recebe uma ligação: sua mulher está morta e seu corpo foi encontrado dentro do veículo destruído.

Por que assistir?: graças à Mostra que o novo cinema grego, geralmente tão desprezado no circuito comercial brasileiro, vem recebendo uma região de devotos. Uma das obras contemporâneas mais populares dessa cinematografia tão nua e crua, “Miss Violence”, é orquestrada por Alexandros Avranas, que volta agora com uma produção fresquinha do último Festival Internacional de Cinema de San Sebastián. Bem que poderia ser exibido também o seu ainda inédito “True Crimes”, com Jim Carrey.

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The Square | dir. Ruben Östlund | Site da Mostra | IMDb | Trailer

Christian é o respeitado curador de um museu de arte contemporânea, um pai divorciado, mas dedicado, que dirige um carro elétrico e apoia boas causas. Sua próxima exposição é The Square, uma instalação que convida os transeuntes ao altruísmo, lembrando-os de seu papel como seres humanos responsáveis. Mas às vezes é difícil viver de acordo com seus próprios ideais: a resposta tola de Christian pelo roubo de seu celular o leva a situações vergonhosas. Enquanto isso, uma agência de relações públicas cria uma inesperada campanha para promover The Square. A reação é exagerada e conduz Christian, assim como o museu, a uma crise existencial.

Por que assistir?: o fato de ser o vencedor da última Palma de Ouro no Festival de Cannes já é razão suficiente para se ver “The Square”, mas o sueco Ruben Östlund é hoje um nome de distinção, graças ao espetacular “Força Maior“, outro achado primeiramente apresentado no Brasil a partir da Mostra.

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Três Anúncios Para Um Crime | Three Billboards Outside Ebbing, Missouri | dir. Martin McDonagh | Site da Mostra | IMDb | Trailer

Mildred Hayes é uma mulher do interior de luto pela morte da filha. Após meses sem que o assassinato da garota seja solucionado pela polícia, ela decide se vingar por conta própria.

Por que assistir?: vencedor do prêmio Osella de Ouro de melhor roteiro no Festival de Veneza, o novo filme de Martin McDonagh foi exibido na coletiva para a imprensa da Mostra 2017. Trata-se do roteiro mais formidável do último ano, dotado de um humor desconcertante defendido por um elenco em plena forma – não se via Frances McDormand tão bem no cinema desde “Amigas com Dinheiro” e Sam Rockwell não pode ficar sem uma indicação ao Oscar no ano que vem.

Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

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