Resenha Crítica | Como Se Tornar o Pior Aluno da Escola (2017)

Como Se Tornar o Pior Aluno da Escola, de Fabrício Bittar

Se há uma constatação que temos quando chegamos na fase adulta e repensamos o nosso passado a partir do perfil profissional e pessoal que modelamos, é a de que o sistema de ensino que nos foi proposto é falho. Para aquele que seguiu o rumo de Humanas, é certo que ter mais do que duas aulas semanas de Artes, Filosofia e disciplinas correlacionadas e coadjuvantes seria muito mais proveitoso para desenvolver talentos e ampliar a visão do mundo. Já os devotos de Exatas desenvolveriam com maior plenitude o raciocínio lógico se tudo não partisse do princípio de decorar inúmeras fórmulas.

Muito mais que isso, a escola segue falhando em resumir em notas que serão carregadas permanentemente em um histórico a capacidade de um aluno, muitas vezes limitado por um esforço descomunal em processar conteúdo para alcançar um conceito que nem sempre corresponde ao de sua inteligência para lidar com as praticidades da vida. E o que dizer sobre a preservação de uma ordem, seja ela alfabética, por separação de sexo ou mesmo altura?

Com muito esforço, dá para encontrar em “Como Se Tornar o Pior Aluno da Escola” a revolta de Danilo Gentili por tal organismo, em que professores, verdadeiros heróis reais e escandalosamente desvalorizados (algo que o comediante certamente discorda), buscam burlar propondo outras soluções de aprendizados. Não à toa, Gentili, que na adolescência vivia no ABC Paulista, região que automaticamente prepara jovens para entrar em seu berço industrial, carrega muito mais que notas ruins: em sua “ficha”, temos 64 advertências, 6 suspensões e 1 expulsão.

Tivesse “Como Se Tornar o Pior Aluno da Escola” como única encarnação a sua forma em livro. No cinema, Gentili segue se revoltando, mas a sua solução é muito pior que o estado das coisas. Afinal, o seu plano para se rebelar não é orientando os garotos interpretados por Bruno Munhoz e Daniel Pimentel a contradizer o modelo que ambos são esperados a corresponder, mas a de reagir a tudo como acéfalos.

Ao pensar que está acima de tudo, Gentili e os seus dois seguidores em progresso (que poderiam muito bem representar os milhares que o acompanham do lado de cá na televisão e nos dispositivos) na realidade retrocedem, voltando a um estado ainda mais primitivo que a do sistema em que estão inseridos. Rasga-se o conhecimento. Perde-se a consciência. Vomita-se. Defeca-se. Responde-se com graça diante da perversão de menores. Persegue-se quem desaprova – opa!. Torna-se nem o pior que é o melhor ou vice-versa, mas sim o idiota que se reconhece como tal e ainda dá risada.

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+ Entrevista com Danilo Gentili e Fabrício Bittar
+ Entrevista com Carlos Villagrán

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Filme:
Como Se Tornar o Pior Aluno da Escola
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Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

4 Comentários em Resenha Crítica | Como Se Tornar o Pior Aluno da Escola (2017)

  1. Caralho cara, nem esconde a imparcialidade. Ofendeu, de graça, o Gentili e a quem assistiu o filme. Seja mais profissional, desse jeito não dá pra levar a sério nenhuma análise feita aqui

    • Doc, não entendo onde eu teria ofendido o Danilo Gentili ou mesmo quem assistiu ao filme. Ao contrário, é “Como Se Tornar o Pior Aluno da Escola” (e, consequentemente Gentili, pois tudo aqui é feito sob a sua influência) que chama literalmente o seu público de idiota.

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