Resenha Crítica | Temporada de Caça (2017)

Temporada de Caza, de Juliana Rojas e Marco Dutra

.:: 41ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.

Às vezes cansa ver em festivais mais um filme que narra uma juventude em dissintonia com o ambiente selvagem que habita ou no qual passa a viver. “Temporada de Caça” é mais um deles a desafiar a nossa paciência ao longo do seu desdobramento e que desaparece da nossa memória em um estalar de dedos.

Aqui, o protagonista tem toda a razão do mundo para estar aborrecido com as circunstâncias, mas a sua antipatia não nos faz ter um pingo de conexão por sua condição. Ao perder a mãe após acompanhar um processo doloroso em que ela esteve em coma (tendo chegado a pesar somente 38 quilos ao falecer), Nahuel (Lautaro Bettoni) é obrigado a rever o pai, Ernesto (Germán Palacios), que o abandonou há 10 anos.

Dá que Ernesto já constituiu outra família, com uma esposa mais jovem e quatro filhas para alimentar. Um ambiente em que a sua pompa de homem da casa se arranha com a instabilidade do filho, que reclama da casa (a qual chama de cabana), da comida posta à mesa e, claro, dos traumas que é crescer sem uma figura paterna por perto.

Entre embates e tentativas de reconciliação, a cineasta Natalia Garagiola pensa rever com originalidade um registro sobre a austeridade dos homens, colocando pai e filho no ambiente de caça da Patagônia. Não está apenas enganada, como não é capaz de extrair nenhuma humanidade do acerto de contas ou mesmo inserir mulheres com voz ativa no contexto que encena.

Data:
Filme:
Temporada de Caça
Avaliação:
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Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

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