Resenha Crítica | Não Devore Meu Coração! (2017)

Não Devore Meu Coração!, de Felipe Bragança

.:: 41ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.

Frequentemente generosos com filmes brasileiros exibidos em festivais internacionais, a imprensa especializada não recepcionou bem “Não Devore Meu Coração!” quando foi exibido nas últimas edições dos festivais de Sundance e Berlim. Já em sua première em São Paulo na Mostra, não se ouviu aplausos no rolar dos créditos finais, uma formalidade comum até mesmo no mais desapontador dos filmes com a presença da equipe.

Isso talvez se deva porque há prós e contras na mesma medida nesta primeira experiência de Felipe Bragança na direção solo de um longa-metragem. Com o reacender das luzes, é difícil traçar de imediato uma reação mais favorável ou desfavorável ao longa, que deve a sua inspiração aos contos de Joca Reiners Terron.

Em tom de realismo fantástico, a história começa com Joca (Eduardo Macedo), um rapaz de 13 anos, sendo encantada por Basano (Adeli Benitez), menina indígena paraguaya que está prestes a completar 15 anos. O amor impossível entre dois pré-adolescentes divididos por suas culturas e conflitos históricos vai sedendo espaço para a continuidade de uma guerra sustentada pelos adultos.

No centro dela, há o irmão mais velho de Joca, Fernando (Cauã Reymond), um agroboy e também importante componente de uma gangue de motociclistas em uma fase de grandes dilemas, principalmente pelas pressões enfrentadas ao assumir uma linha de sucessão. Além da ausência de uma figura paterna, César (Leopoldo Pacheco), que o traumatiza, há uma mãe, Joana (Cláudia Assunção), que ele culpa por arrastá-lo para um ambiente em que não visualiza um futuro e a rivalidade entre gangues.

Cauã Reymond, um ator que tanto cresce pelo seu interesse em estabelecer parcerias com realizadores de cunho autoral, está muito bem em seu personagem, mas há algo em seu arco que estagna “Não Devore Meu Coração!”. Isso acontece porque há realmente uma inocência encantadora quando a narrativa é centrada no romance entre Joca e Basano, de quem teve o seu coração roubado de um modo quase literal. Porém, há um público que estará mais inclinado a simpatizar com Fernando justamente pelo teor menos fantasioso de seu drama, confirmando assim o caráter divisivo provavelmente não planejado por Felipe Bragança.

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+ Entrevista com Felipe Bragança
+ Entrevista com Cauã Reymond
+ Entrevista com Ney Matogrosso

Data:
Filme:
Não Devore Meu Coração!
Avaliação:
31star1star1stargraygray
Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

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