Resenha Crítica | O Acampamento (2016)

Killing Ground, de Damien Power

Se há todo um movimento no terror que está resgatando a tradição dos anos 1970 e 1980 existente em histórias de cunho sobrenatural, o cinéfilo mais assíduo pelo gênero provavelmente notou também uma geração de jovens realizadores adeptos pelo slasher, que teve como o seu maior expoente o clássico “O Massacre da Serra Elétrica”. A ameaça vem a ser mais física e, por isso mesmo, nua e crua.

Em seu primeiro longa-metragem de ficção, o realizador Damien Power está claramente sintonizado com esse filão, mas com toda uma visão mais extrema da crueldade humana típica de um sujeito que nasceu na Austrália, na ilha da Tasmânia. É o que precisa ser dito para alertar que “O Acampamento” será uma experiência no mínimo perturbadora, em que a nossa natureza selvagem e o instinto de sobrevivência são potencializados pela presença em um contexto quase primitivo.

Casal prestes a assumir um rumo mais sério no relacionamento, Ian (Ian Meadows) e Samantha (Harriet Dyer) decidem juntos passar a virada do ano acampando em um matagal próximo a uma cachoeira. Decidem erguer a barraca ao lado de uma outra que parece pertencer a uma família. Porém, como bem propõe a alternância dos tempos narrativos, alguma coisa parece não ter dado certo com os desconhecidos que ocuparam o espaço algumas horas antes.

Sem ir muito adiante, pode-se dizer que Power está muito mais interessado em encenar comportamentos do que necessariamente construir personagens íntegros em camadas. Assumir essa escolha traz prejuízos para “O Acampamento”, no sentido de que o progresso de sua violência às vezes depende mais de certa estupidez assumida pelas vítimas e algozes do que por uma resposta mais racional. É extremamente natural agir sem pensar diante do perigo, mas isso passa a ser uma constante no curso dos eventos.

Ainda bem que Power é não somente brilhante na arquitetura do medo (o que dizer do plano em que Samantha caminha enquanto um bebê a acompanha sem a sua ciência há alguns metros de distância?), como na de uma crueldade que quase transforma os protagonistas em um verdadeiro estudo de caso, com um homem assumindo uma postura nada heroica enquanto uma mulher se mostra cada vez mais forte na preservação de seus instintos. Em um nicho de estereótipos cansados, “O Acampamento” se torna ainda melhor com a sua determinação em revê-los.

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Lançamento em streaming:
Disponível a partir do dia 7 de dezembro
NOW (R$11,90) / VIVO PLAY (R$ 11,90) / Google Play (Compra R$ 29,90 Aluguel R$9,90) / iTunes (Compra US$6.99 Aluguel US$2.99)

Data:
Filme:
O Acampamento
Avaliação:
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Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

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