Resenha Crítica | Em Busca de Fellini (2017)

In Search of Fellini, de Taron Lexton

Mais conhecida por dar voz a Bart Simpson na série animada “Os Simpsons” do que por qualquer outro crédito, Nancy Cartwright se volta hoje com os seus 60 anos para dentro de si para testar novos terrenos como artista, respondendo pela produção executiva e coautoria do roteiro de “Em Busca de Fellini” a partir de uma experiência particular em sua juventude. Uma viagem em férias à Itália, revista agora como uma história sobre apego e liberdade.

Superprotegida, Lucy (Ksenia Solo) passou os 20 anos de sua existência em uma bolha, longe de qualquer coisa com o potencial mínimo de deixar uma ferida emotiva. Mesmo a morte de seus animais de estimação Lucy sequer ficou sabendo, pois a sua mãe Claire (Maria Bello) sempre camuflou com cartões-postais esse e outros revezes. Mas chega um momento em que preservar a pureza da menina já não é mais possível, precisando abrir as portas do mundo e, consequentemente, deixando que ela experimente as coisas boas e ruins que são proporcionadas pelas pessoas e os acasos.

A princípio, Lucy contempla o seu entorno com o encanto e ingenuidade de uma Amélie Poulain, algo que se intensifica quando passa a ter como meta conhecer Roma ao se apaixonar pelos filmes de Federico Fellini, que oferecem para ela uma visão mais realista das relações humanas. Com Claire enfrentando um câncer mantido em segredo, Lucy assim parte para essa terra estrangeira obstinada a conhecer o Maestro, talvez encontrando respostas para perguntas existenciais que sequer teve a vivência para formular.

Nascido na África do Sul e com uma filmografia então composta por curtas, Taron Lexton debuta na ficção em longa-metragem fazendo uma homenagem que soa mais oportunista do que sincera a Fellini, pois carregar o nome do cineasta italiano em seu projeto certamente é bem sedutora para os mercados de circuito alternativo. Na prática, a encenação da jornada de Lucy encontra pouca correspondência com a obra de Fellini.

Isso, entretanto, não é lá um demérito completo, pois Lexton faz assim algo com uma personalidade mais identificável, provando ter um senso estético particular, alternando a fotografia em tom sépia da Itália como concebedora instantânea de paisagens para se gravar na memória com o azul deprimido de um lar em que Claire definha. É inclusive nessa conexão entre filha e mãe que “Em Busca de Fellini” funciona melhor, não deixando que o apreço pelo cinema corrompa a relação dessas duas mulheres que moldam o coração do filme.

Data:
Filme:
Em Busca de Fellini
Avaliação:
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Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

1 Comentário em Resenha Crítica | Em Busca de Fellini (2017)

  1. Não conhecia esse filme, mas acho que vale a pena dar uma conferida, caso tenha a oportunidade!

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