Resenha Crítica | Cora Coralina: Todas as Vidas (2016)

Cora Coralina: Todas as Vidas, de Renato Barbieri

Um aspecto extraordinário sobre Cora Coralina é a poesia que percebeu na rotina, na simplicidade de uma existência vivida em Goiás e no desinteresse por qualquer artificialismo como fonte de inspiração. Isso nunca impediu que produzisse uma obra encantadora, carregada daquela riqueza singular de quem observa com muita perícia até mesmo a mais banal das circunstâncias.

Outro aspecto que jamais deixou de evidenciar em seu texto é a sensação de que parecia viver em um único corpo a vida de várias mulheres. É exatamente o que o realizador Renato Barbieri exibe em seu “Cora Coralina: Todas as Vidas”, em que atrizes de gerações e carreiras tão distintas quanto Beth Goulart, Zezé Mota e Camila Márdila desempenham para as câmeras a leitura das poesias de Cora.

O limite ao tentar corresponder a uma escritora multifacetada como Cora Coralina vem justamente da escolha de Barbieri pela repetição de uma estrutura que quebra a ilusão de corresponder a atos bem definidos. Quando a quarta grua se aproxima com música incidental excessiva anunciando a leitura de um novo texto, o registro perde em interesse.

Melhor quando o documentário passa a se interessar mais pelo legado de Cora Coralina e menos pela leitura por vezes artificial, capturando a sua essência humilde e hospitaleira com raras imagens de arquivos e dos testemunhos que a asseguram como uma doceira de mão cheia. É certo que tanto os admiradores quanto aqueles que desconhecem a trajetória de Cora se interessarão muito mais por esses momentos reservados para a etapa final da realização.

Data:
Filme:
Cora Coralina: Todas as Vidas
Avaliação:
21star1stargraygraygray
Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

1 Comentário em Resenha Crítica | Cora Coralina: Todas as Vidas (2016)

  1. O formato desse filme, pelo que você descreveu, me lembra um pouco o de “Jogo de Cena”. Fiquei curiosa…

Comente

Follow

Get every new post on this blog delivered to your Inbox.

Join other followers: