Os 10 Piores Filmes de 2017

Geralmente, o Cine Resenhas divulga a sua lista de piores como a última postagem de seu respectivo ano de seleção. Um ritual para deixar para trás o que de ruim vimos para começar um novo ano focando no positivo. Lamentavelmente, não foi possível respeitar a tradição por outros compromissos do campo privado. O que não significa que começar um novo calendário com coisas negativas também não funcione como um procedimento de desprendimento para abraçar novas metas e resoluções.

Parece exagero, mas os filmes listados a seguir chegam a desmotivar o exercício da atividade de falar sobre cinema. É quando a sensação de tempo perdido bate forte. Quando o esforço de produzir uma análise se converte em fardo. E quando o desencanto pela arte cinematográfica contemporânea se torna possível. Nada que não mude de figura quando voltamos à sala escura ou selecionamos algo para ver no conforto do lar e nos deparamos com algo realmente bom ao ponto que espantar o pessimismo.

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#10. A Torre Negra, de Nikolaj Arcel

Composta por oito volumes, a série literária “A Torre Negra” é considerada um dos maiores feitos da carreira do mestre do terror Stephen King. No entanto, estava penando para conseguir uma adaptação para o cinema, algo que foi possível em 2017. A expectativa era de ver uma nova franquia se desenhando, mas a primeira aventura protagonizada pelo Pistoleiro Roland Deschain (o superestimadíssimo Idris Elba) se transformou em algo sem qualquer sentido, totalmente apressado em estabelecer um universo que ambicionava estender em sequências que, já sabemos, não acontecerão. Em suma, um fiasco que somente alimentou uma onda de azar povoando as adaptações de King, felizmente quebrada com os lançamentos posteriores de “It: A Coisa” e “Jogo Perigoso”.

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#9. Tudo e Todas as Coisas, de Stella Meghie

Diretora de “Jean of the Joneses”, comédia indicada ao Independent Spirit Award 2017 na categoria de Melhor Primeiro Roteiro, Stella Meghie até exerce alguma influência em “Tudo e Todas as Cores”, como a escolha de uma dupla de protagonistas comum em um relacionamento interracial encenado com uma naturalidade tão bem-vinda em tempos em que tal escolha é problematizada ao ponto de ser a pauta central de uma narrativa. Por outro lado, não se extrai muitos frutos a partir de materiais ocos, com a história logo ultrajando uma condição em favor de uma resolução repulsiva e criminosa especialmente pelo seu viés açucarado. De fazer temer o que é ofertado para os adolescentes consumirem.

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#8. De Canção em Canção, de Terrence Malick

Antes um cineasta bissexto, Terrence Malick é agora um sujeito que filma sem parar. Quem vê um filme com a sua assinatura não precisará mais aguardar quase uma década por mais. Na verdade, nem precisa esperar por um ano. Mas algo se perdeu, pois o que antes parecia ser algo confeccionado com muito cuidado e delicadeza hoje não passa de repetição. De engodo mesmo, para ser bem franco.

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#7. Bye Bye Jaqueline, de Anderson Simão

Os jovens da classe C são um dos principais a formar o público que frequenta as salas de cinema, mas é realmente raro a nossa ficção produzir um registro que de fato consiga servir como um espelho sem filtros de uma geração cercada de tantos dilemas. Mas embora os tipos centrais de “Bye Bye Jaqueline” sejam genuinamente comuns na aparência e no modo como se expressam, há problemas gritantes na condução de Anderson Simão e no texto de Wellington Sari. O baixo orçamento de 130 mil reais não é justificativa para se fazer algo nada cinematográfico, da direção dos atores ao modo como são acomodados dentro de um plano, da péssima construção de personagens (o que dizer do professor interpretado por Sari?) ao sentimento de que eles não se movem para qualquer destino ao final.

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#6. Liga da Justiça, de Zack Snyder

A analogia é fraca, mas assistir a “Liga da Justiça” é como revisitar aquele passado escolar nebuloso, no qual você, provavelmente o aluno antissocial da sala, era obrigado a formar um grupo com componentes com os quais não tinha qualquer afinidade para o desenvolvimento de uma atividade. A história avança, a união é inevitável, mas Batman (Ben Affleck), Superman (Henry Cavill), Mulher-Maravilha (Gal Gadot), Flash (Ezra Miller), Aquaman (Jason Momoa) e Ciborgue (Ray Fisher) não ornam como um conjunto. Na verdade, mais parece um arremedo de tudo que vem dado errado no DC Universe, tornando até mesmo um tanto palatáveis frustrações como “Batman vs Superman: A Origem da Justiça” e “Esquadrão Suicida”.

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#5. Resident Evil 6: O Capítulo Final, de Paul W. S. Anderson

Embora eu tenha assistido o primeiro “Resident Evil”, “O Hóspede Maldito”, quando tinha apenas 13 ou 14 anos, é um filme que volta e meia revisito sem que o meu conceito sobre ele sofra abalos. Bem como qualquer outro episódio de uma franquia que, mesmo com altos e baixos bem evidentes, sempre se mostrou como um escapismo delicioso. Por tudo isso, é uma pena que “O Capítulo Final” seja um ponto final tão amargo, no qual todo apelo por personagens e por uma estética estilizada se dissipou.

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#4. Muito Romântico, de  Gustavo Jahn e Melissa Dullius

O que não falta são casos de grandes filmes nascidos a partir de vivências particulares de seu diretor, dando amplitude a uma história privada que, como por encanto, é capaz de reverberar ao coletivo. Pois “Muito Romântico” é a forma que se tem quando isso não é alcançado, quando o resultado nada mais parece que um exibicionismo, um capricho de seus envolvidos que jamais deveria ter ganhado as multidões. Casal na vida real e na ficção, Gustavo Jahn e Melissa Dullius enveredam por um experimentalismo presunçoso e que nada comunica, encontrando neles mesmos a única plateia que resista ao fim da projeção com alguma luz de deslumbre.

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#3. Emoji: O Filme, de Tony Leondis

Após o lançamento da Universal de um filme em live action inspirado em batalha naval, o estúdio concorrente Sony achou que, anos depois, seria uma boa ideia dar forma a uma ideia no mínimo absurda: a de transformar os emojis que tanto habitam as nossas interações virtuais em personagens de uma animação em longa-metragem. Com um humor voltado ao público infantil, o resultado de “Emoji: O Filme” é catastrófico, com uma história batida sobre inadequações servindo de mero detalhe para costurar gags virtuais coloridas ao ponto de causar convulsão. Um claro candidato a “brilhar” nas indicações ao novo Framboesa de Ouro que se aproxima.

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#2. Internet: O Filme, de Filippo Capuzzi Lapietra

Rafinha Bastos é um sujeito com muito mais repertório e jogo de cintura que o seu colega Danilo Gentili, seja como apresentador ou como comediante. No entanto, meio que empata com ele na empreitada no cinema, pois o seu “Internet: O Filme” é tão fútil, tão ofensivo e tão vergonhoso para a cinematografia nacional quanto “Como Se Tornar O Pior Aluno da Escola”. Mas ao menos aqui há uma valia: a de documentar, no formato de ficção, a “cultura do lixo” que se constitui o universo dos youtubers, que certamente será repensada futuramente de modo crítico quanto aos danos provocados pela tecnologia ao parir influenciadores descerebrados com um púlpito todo seu.

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#1. Como Se Tornar O Pior Aluno da Escola, de Fabrício Bittar

Ao pensar que está acima de tudo, Gentili e os seus dois seguidores em progresso (que poderiam muito bem representar os milhares que o acompanham do lado de cá na televisão e nos dispositivos) na realidade retrocedem, voltando a um estado ainda mais primitivo que a do sistema em que estão inseridos. Rasga-se o conhecimento. Perde-se a consciência. Vomita-se. Defeca-se. Responde-se com graça diante da perversão de menores. Persegue-se quem desaprova – opa!. Torna-se nem o pior que é o melhor ou vice-versa, mas sim o idiota que se reconhece como tal e ainda dá risada.

+ Análise na íntegra
+ Entrevista com Danilo Gentili e Fabrício Bittar
+ Entrevista com Carlos Villagrán

Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

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