Resenha Crítica | Entre Irmãs (2017)

Entre Irmãs, de Breno Silveira

Tem sido uma prática cada vez mais comum o cinema brasileiro pensar em projetos que podem ser reprocessados após a sua estadia no circuito comercial como minisséries da Rede Globo. Responsável pelo sucesso ainda marcante na história de nossa cinematografia “2 Filhos de Francisco: A História de Zezé di Camargo & Luciano”, Breno Silveira havia testado esse método com “Gonzaga: De Pai pra Filho”. Deu tão certo que pensou em seu “Entre Irmãs” tanto para o cinema quanto para a tevê, onde foi exibido na primeira semana de janeiro deste ano em quatro partes.

Ao promover “Entre Irmãs” para a imprensa, Breno escondeu que o drama seria pensado para duas linguagens. Bom, o contrário fez a escritora Frances de Pontes Peebles, autora do romance que inspirou a história, “A Costureira e o Cangaceiro”, que colocou a informação em seu site pessoal. Mas nem era preciso. Até os jornalistas que admiraram “Entre Irmãs” reconheceram que há nele um entendimento mais televisivo que cinematográfico das coisas, da direção a (tele)dramaturgia.

Mesmo considerando a duração de quase três horas, os 25 mil ingressos vendidos enquanto esteve em cartaz no segundo semestre de 2017 nos cinemas formam um número insuficiente para o porte da produção. Como tevê, está atingindo uma audiência para lá de respeitável. “Entre Irmãs” encontrou o seu verdadeiro lar, enfim.

Aqui, acompanhamos a saga das irmãs Luzia (Nanda Costa) e Emília (Marjorie Estiano), especialmente unidas na infância quando um acidente faz com que a primeira tenha que conviver com um braço atrofiado após cair de uma árvore. Já mais velhas, são separadas com a intervenção de Carcará (Julio Machado), líder dos cangaceiros que arrasta Luzia consigo.

A partir desse ponto, as protagonistas são submetidas a situações em que experimentarão o amor pela primeira vez em suas vidas. Antes opostos, Luzia e Carcará vão descobrindo forças em conjunto, ao passo que Emília vai para a cidade grande após o falecimento da Tia Sofia (Cyria Coentro) e se envolve com Degas (Rômulo Estrela), um sujeito da alta sociedade que esconde algo sobre a sua verdadeira sexualidade.

Tudo é correto em “Entre Irmãs”, seguindo uma narrativa clássica valorizada pelo elenco excelente (especialmente Nanda Costa) e uma direção atenta ao explorar a cenografia de uma época que não existe mais. A se lamentar somente um descuido muito recorrente em filmes ambientados em outros períodos: na maior parte do tempo sujas com a permanente poeira do sertão, Nanda e Marjorie ainda assim dão sorrisos abertos dignos de um comercial de creme dental.

Com tudo isso considerado, “Entre Irmãs” talvez até obtenha uma sobrevida agora na televisão. Os temas, como a posição da mulher em uma sociedade retrógrada, a homossexualidade tratada como doença e um amor em família muito maior do que entre casais, devem repercutir melhor em um público que terá mais fôlego do que aquele que ficou horas sentado na poltrona para discuti-los.

Data:
Filme:
Entre Irmãs
Avaliação:
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Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

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