Resenha Crítica | Viva: A Vida é Uma Festa (2017)

Coco, de Lee Unkrich

Embora celebrada mundo afora, o Dia dos Mortos se tornou uma tradição muito mais reconhecida dentro do México. Também ocorrida no mesmo 2 de novembro do nosso Dia de Finados, a exaltação àqueles que se foram se dá de modo mais festivo que o nosso. Se aqui o feriado é usado para nos fecharmos e visitar a tumba de nossos entes queridos, lá a homenagem é coletiva, com festividades pelas ruas.

Na animação da Disney Pixar “Viva: A Vida é uma Festa”, digamos que essa tradição de trazer alegria para algo lúgubre se excede até descaracterizar toda uma cultura, típica de estrangeiro que palpita sobre particularidades de outros países sem muito conhecimento de causa. E nada adianta escancarar nos créditos que há nomes mexicanos no time criativo.

Na história, o garoto Miguel (voz de Anthony Gonzalez na dublagem em inglês) sente que foi destinado a ser músico, especialmente ao se encantar pelo célebre e finado Ernesto de la Cruz (Benjamin Bratt). O senão é que a sua família desaprova totalmente a música em seu lar, consequência do sumiço de seu tataravô, que abandonou a todos para perseguir uma carreira musical.

Na indignação de Miguel em ser impedido de seguir a sua vocação, bem como o de ter uma lacuna no histórico familiar, “Viva: A Vida é uma Festa” vai assim sendo consumido por um tom fantástico, em que o Dia dos Mortos é encenado com extravagância não no plano material, mas espiritual. Para acompanhá-lo neste universo, há Héctor (Gael García Bernal), que o ajudará a se aproximar de um ente querido que tanto define as suas raízes.

Como não se pode deixar de reconhecer, o novo feito do estúdio é um primor técnico, especialmente no cuidado na caracterização dos personagens, com traços bem particulares justamente por serem vistos já decompostos. Porém, se no último ano tivemos em “Moana: Um Mar de Aventuras” certo fascínio ao conhecer um pouco da cultura polinésia, em “Viva” há uma deturpação com algo que na tela soa mais americano que latino.

Não é mero detalhe, ainda mais pelo sentimento de que tudo é derivativo de outros sucessos é enorme. Chega até a remeter a feitos de estúdios concorrentes, de “Festa no Céu” a “Kubo e as Cordas Mágicas“. No entanto, o pior vem a ser como todo o exibicionismo de cores bem ornadas sufoca uma resolução com tanto potencial para comover sobre a preservação daqueles que se foram em nossa memória. Mas até ela, já é tarde demais para ajustar tantos descompassos.

Data:
Filme:
Viva: A Vida é uma Festa
Avaliação:
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Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

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