Resenha Crítica | The Square: A Arte da Discórdia (2017)

The Square, de Ruben Östlund

.:: 41ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.

A mobilização contra o fazer artístico não é uma pauta em discussão somente no Brasil. Uma onda conservadora se alastra no país e no mundo e a arte tem sido um dos principais alvos de ataque. Como bem anuncia em seu subtítulo exclusivamente brasileiro, “A Arte da Discórdia”, “The Square” acalora o debate.

É um aspecto que provavelmente foi determinante para o júri do último Festival de Cannes liderado por Pedro Almodóvar conferir para o sueco Ruben Östlund a Palma de Ouro de Melhor Filme. Raciocínio parecido teve em 2015 o júri de Joel e Ethan Coen, que laureou “Dheepan: O Refúgio” em um período em que a crise de refugiados emergia.

Ambos cometeram o mesmo erro, privilegiando uma obra muito mais pelo contexto em que está inserido e menos por demais aspectos, como mesmo a relevância com o qual se constrói a partir de uma pauta atual. Soa até mesmo questionável o tom adotado por Östlund em seu “The Square: A Arte da Discórdia”, atingindo níveis de infantilidade gravíssimos.

A princípio, a via-crúcis atravessada por Christian (Claes Bang), curador de um museu de arte contemporânea, rende mesmo algumas risadas pelas situações de desconforto em que está centralizado – quando não bizarras. Há tanto a jornada que inicia para reaver um celular roubado quanto as consequências de um flerte com uma jornalista americana, Anne (Elisabeth Moss).

Tais acasos de sua vida privada confluem com a preparação de uma nova exposição, O Quadrado, que gera polêmica a partir de uma campanha publicitária lançada para o público que causa um tremendo alvoroço por envolver uma menina e uma explosão. Apenas a primeira das várias pedras de dominó que despencarão até deixar Christian em uma situação profissional muito delicada.

Com “Força Maior“, Östlund havia entregado um dos grandes filmes de 2014 ao trazer um protagonista um tanto parecido com Christian, que se via desacreditado por sua família por causa de uma atitude nada heroica em uma avalanche. Aqui, uma figura intelectual, respeitável, vai sucumbindo às circunstâncias ao ponto de se encontrar literalmente no lixo.

Fazia todo o sentido em “Força Maior” expôr a masculinidade dos homens, falsa quando estão em uma situação de sobrevivência. Em “The Square: A Arte da Discórdia”, é difícil acreditar em Christian como um homem crível, ainda que Claes Bang, dinamarquês que será visto em “A Garota na Teia de Aranha”, o interprete com a maior dignidade possível. Se não bastasse, há ainda uma conclusão desapontadora, que parece deixar a deus-dará tudo o que se fermentava previamente.

Data:
Filme:
The Square: A Arte da Discórdia
Avaliação:
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Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

1 Comentário em Resenha Crítica | The Square: A Arte da Discórdia (2017)

  1. Esse filme está passando, atualmente, na sessão do Cinema de Arte em minha cidade. Mesmo assim, ainda não me interessei por assistir…

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