Resenha Crítica | As Aventuras de Paddington 2 (2017)

Paddington 2, de Paul King

Querido pelos britânicos, Paddington poderia muito bem ir para os cinemas tendo dificuldades de conquistar as inúmeras plateias pelo mundo. De fato, a sequência anda amargando uma bilheteria fraca nos Estados Unidos e as demais arrecadações não se equiparam com aquela obtida no Reino Unido. Êxito comercial à parte, quem arriscar terá uma experiência ainda mais doce comparada com a proporcionada pelo original, que já era ótimo.

De certo modo, há um tom de homenagem na história singela para Michael Bond, criador do personagem que faleceu aos 91 anos sem ter visto a segunda vez do urso que ama marmelada no cinema. Nela, Paddington (dublado no original por Ben Whishaw e no Brasil por Bruno Gagliasso) se mete em apuros quando faz um pé de meia para comprar um livro pop up de Londres para a sua tia Lucy (Imelda Staunton), que jamais saiu da floresta.

Acontece que tal exemplar contém enigmas em suas páginas que direcionam para um local que possui um tesouro em forma de acessórios banhados em ouro. E é nele que Phoenix Buchanan (Hugh Grant, indicado ao Bafta pela interpretação), um ator no ostracismo e vilão da vez, está de olho, executando o roubo do livro em um antiquário ao passo que consegue incriminar Paddington pelo que fez.

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Claramente voltado para o público infantil, “As Aventuras de Paddington 2” tem em sua versão nacional uma melhora no time de dublagem. Além de Gagliasso ser uma voz muito mais profissional que a de Danilo Gentili (que fez o personagem no original), o jurado do MasterChef Henrique Fogaça dá conta do recado ao dublar Knuckles McGinty (Brendan Gleeson), o cozinheiro do presídio para o qual Paddington é mandado. Duro de engolir apenas Márcio Garcia como a voz brasileira de Hugh Grant, em um trabalho sem nenhuma das nuances maliciosas do galã inglês.

Entretanto, o mais bacana de reconhecer é não apenas o fato de Paddington divertir também os adultos com um humor nada imbecilizado e das belas rimas visuais concebidas pelo diretor Paul King e o seu fotógrafo Erik Wilson, mas o enaltecimento da bondade como um valor a ser praticado nas relações humanas. Não emociona apenas o esforço dos Brown para provar a inocência de Paddington, mas também o poder natural deste em despertar em quem o cerca a capacidade de ser mais cordial e aberto para a vida. Parece pouco, mas há muito não se via um programa família tão afetuoso nessa abordagem.

Data:
Filme:
As Aventuras de Paddington 2
Avaliação:
41star1star1star1stargray
Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

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