Resenha Crítica | Manifesto (2015)

Manifesto, de Julian Rosefeldt

O alemão Julian Rosefeldt é famoso há 20 anos pelos projetos transformados em vídeoinstalações expostos ao redor do mundo. Para esse formato, pensou em fazer uma série de monólogos em que importantes manifestos artísticos são levemente reorganizados com a intenção de ter uma narração mais fluida, conseguindo com a inestimável colaboração de Cate Blanchett a possibilidade de concebê-la apropriadamente.

Situado em Melbourne, o Australian Centre for the Moving Image foi o primeiro lar da vídeoinstalação, se transformando em um sucesso imediato que atiçou inclusive a curiosidade de turistas. Para tanto, vem agora uma versão em que os 13 monólogos, antes separados, são agora reunidos para formar um longa-metragem.

Ainda que traga a presença hipnótica de uma das maiores atrizes do cinema em atividade se virando dentro dos mais diversos tipos, “Manifesto”, como cinema, não é de fácil digestão. Mesmo a edição de Bobby Good, que busca interligar os segmentos o máximo possível, não é capaz de amortecer o peso de uma narrativa ininterrupta com declarações sobre o estado da arte, o seu fazer, a sua relevância e até mesmo o modo questionável como é usada.

Tal consequência se dá muito como Rosefeldt opera os seus monólogos, mais preocupado por uma simetria, por uma apropriação absoluta de uma cenografia que se expande além do plano, muito mais criativa do que o modo como subverte os textos que tem em mãos. Felizmente, um dinamismo mais evidente vem quando conseguimos nos habituar com o formato da proposta, vindo especialmente com um tom quase satírico antes ausente.

Como no monólogo de Claes Oldenburg, vindo do pop art, em que é dito como uma oração à mesa por Cate Blanchett como uma mãe conservadora. Ou na melhor parte do filme, onde temos Blanchett como uma âncora e uma repórter como porta-vozes dos representantes da arte conceitual Sol LeWitt, Elaine Sturtevant e Adrian Piper. Antes do encerramento, é também divertido ver a atriz como uma professora recitando as regras do Dogma 95, criadas pelos cineastas Lars von Trier e Thomas Vinterberg.

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Lançamento em streaming:
Disponível a partir do dia 1º de fevereiro
 | NOW (R$14,90) | VIVO PLAY (R$ 11,90) | Google Play (R$9,90) | YouTube (R$9,90) | iTunes (R$11,90)

Data:
Filme:
Manifesto
Avaliação:
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Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

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