Certos filmes, especialmente aqueles que retratam o conturbado mundo adolescente, costumam retratar a figura de mãe como irresponsável, imatura e cheia de neuroses. Em um caso que se desvia dessa “regra”, Nick Cassavetes, ao prestar homenagem a sua própria mãe, Gena Rowlands, utiliza um modelo oposto à estes em “De Bem Com a Vida”, o primeiro longa metragem deste que é um dos diretores mais interessantes em atividade. Aqueles que conhecem os seus trabalhos como cineasta sabem que Cassavetes tem o costume de usar os seus dramas como um símbolo de consideração àqueles que provavelmente o ajudaram a desenvolver o seu próprio caráter pessoal e profissional. Só para citar alguns exemplos, “Loucos de Amor”, com Sean Penn, John Travolta e Robin Wright Penn, Cassavetes usou o roteiro escrito pelo seu próprio pai, John Cassavetes e “Um Ato de Coragem” é um longa dedicado a sua filha, Sacha, que passou pelos mesmos problemas cardíacos que o filho do personagem de Denzel Washington enfrenta.
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Em “De Bem com a Vida”, Gena Rowlands é Millie. Logo nos créditos iniciais, ela distribui jornais pela vizinhança enquanto conduz um carro ao amanhecer. Só que não se trata de um pequeno serviço para esta dona de casa viúva acumular um dinheiro extra: ela está ajudando a sua filha Annie (Moira Kelly, ótima) a executar o seu próprio trabalho, sendo ela garota rebelde e que não apresenta nenhum respeito pela própria mãe. Cansada das exigências nada mais do que necessárias de Millie, Annie decide tomar a decisão de sair de casa e viver com o seu namorado. Essa atitude faz com que Annie se torne uma mulher ainda mais solitária, mas que reserva uma possibilidade que mudará a sua vida definitivamente. Ao ver que Monica (Marisa Tomei, excepcional como sempre), sua vizinha, está passando por graves problemas no casamento, Millie se oferece como babá de seu pequeno filho apelidado de J.J. (Jake Lloyd, apresentando um talento não confirmado ao viver Anakin no episódio I de “Star Wars”). A presença com esta criança e com Monica faz com que Millie revivá os tempos mais descontraídos quando era mais nova, interrompido ao exercer os deveres de mãe e esposa.
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Ao se divertir com Monica numa noite qualquer, Millie conhece Tommy (Gérard Depardieu), outra pessoa que marcará um espaço muito importante em sua vida, só que terá de continuar enfrentando muitos problemas como mãe, tendo que se decidir numa proposta vinda de seu filho mais velho e bem-sucedido Ethan (David Sherrill) de cuidar do bebê que sua esposa Jeannie (Bridgette Wilson) espera e quando Annie a procura por dinheiro. É dentro deste roteiro, também escrito por Helen Caldwell, que Cassavetes se esquiva dos esteriótipos de mães do cinema, reservando um drama singelo e que é de fácil assimilação. Além disto, é uma bela amostra do talento e importância de Gena Rowlands, uma das maiores lendas vivas do cinema. Mas “De Bem com a Vida” é muito mais do que uma homenagem a grande atriz e um filme comum. É nada menos do que uma representação de emoções verdadeiras e de que não importa a idade ou os problemas que passamos, pois a vida sempre nos proporcionará oportunidades de continuar em frente em busca da harmonia que sempre procuramos em nossa existência.
Título Original: Unhook The Stars
Ano de Produção: 1996
Direção: Nick Cassavetes
Elenco: Gena Rowlands, Marisa Tomei, Gérard Depardieu, Jake Lloyd, Moira Kelly, David Sherrill, David Thornton, Bridgette Wilson, Bobby Cooper, Clint Howard, David Rowlands e Jamie Bozian.
Cotação: ![[5star.jpg]](https://blogcineresenhas.files.wordpress.com/2008/10/5star.jpg?w=67)
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