“Rio Congelado” é aquele tipo de filme independente que não apresenta inicialmente grandes atrativos para se tornar um grande sucesso. Afinal, a protagonista é uma atriz muitas vezes sub aproveitada pela indústria cinematográfica, tem um elenco de apoio nada conhecido, custou somente 1 milhão de dólares e a direção cabe a uma novata que ainda é encarregada de um script onde o foco são as situações de risco que as pessoas se submetem quando as condições financeiras são delicadas. Mas quando produções como este título são realizados com notável qualidade o sucesso em festivais de cinema surge assim como o reconhecimento do público.
As conquistas de “Rio Congelado” são as indicações ao Oscar na categoria de melhor atriz principal (Melissa Leo) e roteiro original (Courtney Hunt) – reconhecer o trabalho da nativa americana Misty Upham seria também uma agradável surpresa. Melissa e Misty incorporam, respectivamente, Ray e Lila. Mas antes que estas personagens se encontrem, Coutney trata de destacar Ray. Ela é uma mulher cujas marcas na face já apresentam uma trajetória repleta de sofrimentos, mas sempre enfrenta as adversidades com a cabeça erguida. E é o que faz quando não tem mais dinheiro para se sustentar nem a si e nem aos seus filhos T.J. (Charlie McDermott) e Ricky (James Reilly). Ela foi abandonada pelo marido, um jogador compulsivo. E resta a esta mulher adquirir dinheiro para ao menos render um bom natal para os seus filhos e quitar as dívidas de sua residência, um trailer grande que precisa ser submetido a vários reparos, para após financiar um novo lar.
É ao procurar pelo seu marido que Ray se confronta com Lila, uma habitante de uma reserva Mohawk com graves problemas financeiros e de visão, tendo que entregar para a avó uma filha que não pode cuidar. Lila pratica um serviço secreto que Ray logo se encarregará de fazer junto à esta desconhecida: o transporte ilegal de imigrantes clandestinos entre a divisa do Canadá com os Estados Unidos, separada por um rio congelado com sérios riscos de se romper com a passagem de veículos ou mesmo de pessoas. O dinheiro obtido com o trabalho é suficiente para as essas duas mulheres driblarem os problemas, mas problemas é o que também se multiplicam quando a polícia local desconfia sobre este transporte.
Como de praxe em produções com orçamento tão limitado, resta a Courtney Hunt o árduo trabalho de tentar desenvolver toda essa ação com a maior criatividade possível, estando livre de qualquer fácil artifício de rodar essa história contando com notáveis departamentos técnicos. Se sua direção não é magistral, o fato de centrar os acontecimentos num cenário frio, por vezes solitário, é uma virtude a se notar, além do roteiro que preserva a idéia de que sempre haverá alguma paz após a tormenta, por mais que ela possa demorar a surgir. Todavia, projetos com tais características dependem demais da entrega do seu elenco. E este é o mérito de “Rio Congelado”, que é centrar as suas câmeras para Melissa Leo e Misty Upham. Leo, sempre despida de qualquer vaidade e recebendo aqui o seu primeiro papel como protagonista, responde por muitos momentos de dolorosos sentimentos sem nunca tornar a sua Ray uma mulher que implora por pena. E Upham a acompanha ao seu lado neste drama, nunca atrás.
Título Original: Frozen River
Ano de Produção: 2008
Direção: Courtney Hunt
Roteiro: Courtney Hunt
Elenco: Melissa Leo, Misty Upham, Michael O’Keefe, Charlie McDermott e James Reilly
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