Se existiu thrillers neste ano em que o público contou os dias para a estreia foram “Ilha do Medo” e “O Escritor Fantasma”. Contando cada um com um dos diretores mais consagrados do cinema, a espera era por um resultado bom o suficiente para ganhar força em uma filmografia cheia de grandes clássicos. Mas se Martin Scorsese cometeu uma bola fora o caso de Polanski é bem distinto, o de uma quase obra-prima. Isto porque Polanski pôde se desdobrar com um orçamento justo editando seu trabalho em prisão domiciliar na Suíça.
Os seus problemas com a justiça americana foram tão noticiados que qualquer espectador que embarque em “O Escritor Fantasma” saberá o que aconteceu em seus bastidores. Porém, o que importa é o entretenimento de alta qualidade que é seu filme. Baseado em um livro de Robert Harris, que por sua vez colabora com Roman Polanski no roteiro, o filme acompanha um ghostwriter (Ewan McGregor, em seu melhor papel como protagonista) contratado para finalizar as memórias em manuscritos do ex-Primeiro-Ministro Adam Lang (Pierce Brosnan, em personagem claramente inspirado em Tony Blair, que auxiliou o ex-Presidente Bush com suas tropas britânicas no Iraque). Ele sabe que teve um precedente. O problema é que inevitavelmente coleta provas que são capazes de provar que ele não cometeu suicídio como divulgado mas sim assassinado. A causa está totalmente ligada ao livro que deve revisar e reparar em duas semanas.
O notável em “O Escritor Fantasma” é a incrível direção de Polanski ao conduzir seu protagonista em uma conspiração política sem jamais soar maçante. Tudo é desenvolvido sem pressa, mas com uma tensão que se amplia e até mesmo há espaço para um inteligente sarcasmo. A ótima sacada de não conferir ao personagem de Ewan McGregor uma identidade (ele é creditado apenas como The Ghost) permite com que o público praticamente interaja com a narrativa. Além destes aspectos e muitos outros, é preciso destacar também a música de Alexandre Desplat, um dos melhores compositores em atividade, e as interpretações. Os papéis masculinos centrais defendidos por Ewan McGregor e Pierce Brosnan são instigantes. A ala feminina, como é de costume em qualquer longa-metragem de Polanski, é quem se sobressai. Olivia Williams novamente está perfeita e Kim Cattrall está inusitada longe da hilariante Samantha de “Sex and the City“. Se não fosse o suficiente exigir tanto fôlego de nós, “O Escritor Fantasma” ainda tem um encerramento brilhante e chocante que impactará a todos. É aguardar para que a temporada de prêmios cinematográficos confira o devido reconhecimento ao trabalho artístico de Polanski.
Título Original: The Ghost Writer
Ano de Produção: 2010
Direção: Roman Polanski
Elenco: Ewan McGregor, Pierce Brosnan, Olivia Williams, Kim Cattrall, Tom Wilkinson, Eli Wallach, James Belushi, Timothy Hutton, Tim Preece e Robert Pugh
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