Além de jogadores de futebol, nomes como Neymar e Ronaldo também fazem às vezes de celebridades. Reconhecidos mundialmente, esses craques da bola são figuras fáceis em programas televisivos e em páginas de revistas e jornais (não sendo exclusividades apenas no caderno Esporte). Entre as décadas de 1940 e 1950, Heleno de Freitas também se encaixava neste perfil de celebridade, embora os seus tormentos particulares o tornassem um indivíduo obscuro e, por isto mesmo, interessante.
Nascido dia 12 de fevereiro de 1920 na cidade de São João Nepomuceno, em Minas Gerais, Heleno de Freitas é ainda considerado um dos maiores jogadores brasileiros da história do futebol. Além dessa fama, prevalecia em campo também o seu temperamento difícil. Adorava admitir que nenhum de seus colegas de time foi capaz de se aproximar de suas habilidades. O comportamento lhe rendeu problemas por todos os times que o contratou, desde o Botafogo até o Boca Juniors.
Longe de torcedores que sempre o ovacionava, Heleno tinha uma vida privada ainda mais tumultuada. Tratava-se de um homem incapaz de se manter fiel a uma única mulher e passava uma boa parte do tempo livre sustentando o seu vício por drogas. O relacionamento com tantas mulheres o fez contrair sífilis, doença que se recusava a tratar.
Mantendo-se fiel aos fatos que marcaram a existência de Heleno (ou que contribuíram para o fim dela), o longa-metragem de José Henrique Fonseca ainda assim consegue meios de dar luz a um homem difícil. Em um lance ousado, Heleno foi todo fotografado em preto e branco por Walter Carvalho. A ausência de cores não apenas dialoga com o perfil de Heleno de Freitas, como torna deslumbrante certas passagens de sua vida. Na mais marcante dela, o protagonista treina em um campo fora do Brasil tomado por uma densa névoa.
O registro do mito só resulta imperfeito porque pouco dos seus feitos impressionantes com a bola se vê na tela. Mesmo que Rodrigo Santoro tenha mergulhado de cabeça no papel, entregando-se tanto a sensualidade de Heleno quanto a deformidade física mental que o atingiu em seus últimos anos de vida (o ator perdeu aproximadamente doze quilos para representar a fase em que o personagem está em um sanatório), faltou espaço para aquele Heleno que continua vivo no coletivo brasileiro.
Título Original: Heleno
Ano de Produção: 2011
Direção: José Henrique Fonseca
Roteiro: Felipe Bragança, Fernando Castets e José Henrique Fonseca
Elenco: Rodrigo Santoro, Alinne Moraes, Othon Bastos, Herson Capri, Angie Cepeda, Erom Cordeiro, Orã Figueiredo, Henrique Juliano e Duda Ribeiro
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