Darkest Hour, de Joe Wright
Anualmente, os aficionados por cinema e a sua temporada de premiações têm por hábito dizer, de modo pejorativo, que o Oscar sempre bate cartão com a chamada cota britânica, na qual produções quadradas de época vindas do Reino Unido ocupam um espaço significativo entre os finalistas. Foi assim em 2010 com “O Discurso do Rei“, em 2014 com “A Teoria de Tudo” e “O Jogo da Imitação” e agora em 2018 com “O Destino de Uma Nação”.
O problema é que, diante das três obras citadas, essa encenação de um período específico da vida política de Winston Churchill chega a ficar ainda mais pálida. Sem exageros, há tempos não se via um finalista nas premiações que seguisse uma cartilha de segurança ao ponto de se anular totalmente. Isso se dá principalmente pelo modo como se manipula a versão ficcional de uma figura real ainda controversa, visto aqui como um idoso que esconde um coração enorme em meio a tanta ranzinzes.
O recorte de “O Destino de Uma Nação” é o de maio de 1940, momento em que a Segunda Guerra Mundial estava em processo de gestação, quase a explodir. Com a rejeição de Neville Chamberlain (Ronald Pickup), Churchill (Gary Oldman) assume a posição de primeiro-ministro e se vê na posição delicada de tomar decisões difíceis conforme os alemães vão avançando em sua conquista da Europa.
Patriótico até a medula, o texto de Anthony McCarten passa batido pelo Churchill real de caráter duvidoso, preferindo registrá-lo como um sujeito desacreditado que vai paulatinamente conquistando os seus compatriotas com uma oratória impecável. Portanto, é até perdoável que ele seja um imbecil em uma série de circunstâncias com a sua datilógrafa Elizabeth (Lily James), pois a seguir sempre haverá um gatinho debaixo da cama que ele deseja acariciar ou a sua esposa Clemmie (Kristin Scott Thomas, grande atriz no papel mais ingrato de sua carreira) para enaltecer o seu ímpeto.
Chega a ser até mesmo constrangedor os esforços para nos simpatizarmos com Churchill, culminando em uma cena patética em que ele não somente toma um metrô com proletariados, como é visto aos prantos se comunicando com eles. Por tudo isso, é triste que o reconhecimento maior do camaleônico Gary Oldman venha por “O Destino de Uma Nação”, no qual está na incômoda posição de bravejar discursos tediosos sob quilos de maquiagem que servem mais como muletas do que como um suporte para um grande talento.

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