Zama, de Lucrecia Martel

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+ Entrevista com a cineasta Lucrecia Martel

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Nove anos após o lançamento de “A Mulher Sem Cabeça”, a cineasta argentina Lucrecia Martel volta à direção da ficção em longa-metragem com um projeto que se apresenta desafiador diante do que apresentava em sua obra. Até então dedicada aos roteiros originais sobre histórias contemporâneas, Martel molda “Zama” a partir de um romance de época assinado por Antonio Di Benedetto, originalmente publicado em 1956 e disponível no Brasil pela Globo Livros.

Aqui, o personagem-título interpretado por Daniel Giménez Cacho (de “Branca de Neve“) é um oficial da Coroa Espanhola em busca de uma vida melhor. Para que possa viver como deseja em uma outra cidade, Zama precisa aguardar a autorização do rei, que o comunicará sobre a possibilidade de transferência com a emissão de uma carta.

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Para que isso se efetive, no entanto, Zama se vê incumbido a desempenhar uma série de tarefas a contragosto como método de antecipar o mais depressa possível um decreto responsável pela sua liberdade. O tempo se passa e nada acontece, fazendo com que tome um posicionamento dentro de um grupo de soldados à caça de um notório bandido – é em tal fase em que finalmente se manifesta a figura de Matheus Nachtergaele, um dos nomes brasileiros em uma produção viabilizada ao todo por 11 países.

Lucrecia Martel é dona de uma mise-en-scène extremamente particular, por vezes fazendo um registro quase documental no resgate de uma América do Sul pautada pela relação entre dominantes e dominados. Por vezes isso culmina em uma narrativa vacilante em sua consistência ou mesmo na composição de um protagonista de carisma nem sempre identificável. Ainda assim, não deixa de traçar comentários como a organização de um contexto histórico reverbera na contemporaneidade em que vive.

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