Rogério Duarte, O Tropikaoslista, de José Walter Lima
Foi quando já tinha em 2016 o material coletado para “Rogério Duarte, O Tropikaoslista” que o cineasta José Walter Lima (de “Antônio Conselheiro: O Taumaturgo dos Sertões”) recebeu a notícia de o seu alvo de pesquisa e amigo de longa data morreu de câncer em Brasília e sem ter a oportunidade de ver pronto o documentário sobre a sua trajetória artística e pessoal. Dois anos após essa perda, a obra vem para preencher um espaço de homenagem ou mesmo de interesse para os seus fãs e aficionados pelo legado deixado no movimento tropicalista.
Como muitos de sua época e campo artístico, Rogério Duarte se desdobrou em um sem número de ocupações. Além de um artista gráfico até hoje referenciado e definitivo para a efetivação de uma vanguarda, foi também músico, compositor, poeta, professor e tradutor. Também colaborou com grandes nomes, como Gilberto Gil e Caetano Veloso, dois colegas com aparições no documentário.
Porém, é a sua amizade com o cineasta Glauber Rocha que surge como a primeira pauta em debate em “Rogério Duarte, O Tropikaoslista”, para quem criou os emblemáticos cartazes de “Deus e o Diabo na Terra do Sol” e “Idade da Terra”, hoje itens de culto entre cinéfilos de todo o mundo. Já os seus posicionamentos políticos, aliado ao seu império criativo, custou-lhe caro em um contexto opressor, sendo preso e torturado por militares em meados de 1960.
Mesmo com a inestimável presença do próprio Rogério Duarte compartilhando uma série de histórias – despertando inclusive um fascínio extra do espectador pela sua caracterização bem particular, usando boinas, chapéus e bonés alinhados para cobrir o seu olho direito, danificado por um acidente -, a produção se perde neste mar atualmente intenso de registros nacionais a cobrir o tropicalismo. Há também uma desorganização narrativa, fruto de depoimentos filmados em momentos diferentes com evidente desequilíbrio na qualidade de captação sonora.

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