Le parc, de Damien Manivel

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Já conhecido no Brasil pelo seu debute na direção em longa-metragem em 2014 por “Um Jovem Poeta”, o cineasta francês Damien Manivel segue à risca a cartilha que se estabeleceu na produção independente a partir da “democratização” permitida pelo digital. Breve, o seu registro tem duração de apenas 71 minutos, é totalmente ambientado em um único cenário e o seu elenco é composto por três intérpretes não-profissionais.

Na primeira metade de “O Parque”, vemos o desabrochar da paixão entre Naomie (Naomie Vogt-Roby) e Maxine (Maxime Bachellerie), dois adolescentes em que testemunhamos ao curso de um dia caminhando pelo gramado como qualquer outro jovem casal curtindo um momento junto. Já à sombra das árvores, investem em uma troca de carícias mais ousada.

De forma calculada, Manivel vai registrando inúmeros comportamentos entre Naomie e Maxine, da timidez à entrega, da afetuosidade ao atrito. Com o anoitecer, o contexto fica mais obscuro, materializando na presença de um terceiro personagem, um zelador vivido por Sessouma Sobere, um tom de ameaça bem característico de um filme de horror.

O resultado, no entanto, soa mais como um exercício de experimentalismo digno de um novato, como se testasse as possibilidades do suporte que tem em mãos ao passo em que negligencia os fatores humanos de sua obra. Afinal, Manivel parece muito mais deslumbrado com o domínio na encenação para prolongar planos que mais se comportam como períodos isolados do que em extrair de seu elenco uma naturalidade que o distancie da impressão de ser um trio de fantoches com passos ditados por um roteiro que soa apenas como um mero detalhe para o projeto.

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