Todos os Paulos do Mundo, de Gustavo Ribeiro e Rodrigo de Oliveira

É impossível não pensar na história do cinema de um país sem passar por todos os rostos que já a representaram em cada uma de suas fases. Pois Paulo José, nascido no Rio Grande do Sul há 81 anos, é um dos veteranos que mais serão lembrados por suas faces, estampa para personagens tão emblemáticos em filmes que até hoje são discutidos por velhas e novas gerações.

Isso desde 1966, quando debutou em longa-metragem como o protagonista de “O Padre e a Moça”, obra de Joaquim Pedro de Andrade dada como uma das mais importantes de nossa cinematografia nos anos 1960. “O Homem Nu” (1968), “Macunaíma” (1969), “O Rei da Noite” (1975), “Eles Não Usam Black-Tie” (1981), “Policarpo Quaresma, Herói do Brasil” (1997), “Saneamento Básico, O Filme” (2007) e “O Palhaço” (2011) foram somente algumas das demais contribuições essenciais como ator, também com passagens marcantes pelas telenovelas, minisséries e espetáculos teatrais.

São muitos Paulos para dar conta em um documentário e a dupla Gustavo Ribeiro (um craque da montagem) e Rodrigo de Oliveira (editor da Revista Cinética e grande estudioso do cinema) busca pela decisão que parece mais coerente em enaltecê-los: o de construir um documentário que resinificara trechos de um sem número de trabalhos como se todos fizessem parte de uma única vida. Quase como fez Eryk Rocha em “Cinema Novo” há dois anos.

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A diferença é que aqui a homenagem é mais afetuosa, dando também inúmeras vozes para um artista hoje debilitado pelo mal de Parkinson. Assim, colegas de atuação como Fernanda Montenegro, Helena Ignez, Selton Mello, Matheus Nachtergaele e Mariana Ximenes tratam de narrar frases da autoria de Paulo José.

O registro acerta ao permitir em seu terceiro ato a presença do próprio Paulo José às vésperas de se tornar um octogenário. Porém, os realizadores definitivamente não conseguem construir o seu perfil a partir da colagem de cenas. Há uma dessintonia insistente na passagem de uma imagem para a outra e os áudios em off nem sempre colaboram para a construção de uma narrativa pretendida.

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