Dopo la guerra, de Annarita Zambrano

.:: 7º Panorama do Cinema Suíço Contemporâneo ::.

Há seis anos, o diretor e ator Robert Redford havia levado para o cinema o romance de Neil Gordon “Sem Proteção“, onde tratou do Weather Underground a partir de um ataque fictício. De esquerda, o grupo terrorista entrou para a história a partir de atos promovidos ao final dos anos 1960, geralmente contra símbolos do capitalismo e do governo que à época operava.

Guardadas às devidas proporções, a cineasta estreante Annarita Zambrano faz um equivalente dessa premissa, desencadeando as tensões de “Depois da Guerra” a partir de um assassinato de um professor cometido em Bolonha, Itália. Estamos em 2002 e o ato está diretamente ligado a um crime do passado cometido contra um juiz, o que nos faz chegar a Marco Lamberti (Giuseppe Battiston), italiano que encontrou asilo político na França.

A vinda da jornalista Marianne (Maryline Canto) deixa tudo mais claro para a filha de Marco, a adolescente Viola (Charlotte Cétaire), e, consequentemente, para o público. É ele o principal suspeito por ordenar a morte da autoridade pública e o governo italiano exige agora a sua extradição. Temendo o seu destino, estuda a possibilidade de fugir para outro país, algo que Viola não está disposta a fazer.

A autenticidade de Annarita Zambrano, que escreve o seu roteiro em parceria com Delphine Agut, está em encenar as consequências de um passado bárbaro que parecia esquecido de um modo mais pessoal, no sentido de a sua trama ser ditada muito mais pelas tensões familiares do que as externas. Além disso, acertou na escalação do elenco, especialmente de Giuseppe Battiston, ator com um histórico cômico na cinematografia italiana exemplar em um papel denso.

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