Abrindo o Armário, de Dario Menezes e Luis Abramo

Mesmo com todas as revoluções sexuais empregadas pelas últimas gerações, ainda é um tabu para o Brasil e o mundo a saída do armário, como é chamada a revelação de um indivíduo que não atende à heteronormatividade. Portanto, ainda que se apresentar como um homossexual quase ou nenhuma consequência renda a terceiros, o conservadorismo segue oprimindo aquele decidido ou não a se abrir expressando os seus desejos por alguém do mesmo sexo.

Por isso, é importante o direcionamento que os realizadores Dario Menezes e Luis Abramo dão ao documentário “Abrindo o Armário”, focado justamente em homens que se assumiram como gays e como isso sacudiram as suas vidas. E o melhor: a costura narrativa parte de participantes diferentes em suas idades e contextos sociais.

A organização é estabelecida com declarações que intercalam figuras conhecidas a anônimas. Há desde o jornalista e escritor João Silvério Trevisan, também notório por seu ativismo LGBT, até de jovens que passaram recentemente pela experiência de se abrirem para a família e o círculo de amigos.

Alguns depoimentos em particular se sobressaem aos demais. Como o de Rodrigo Barbosa, que encerrou o relacionamento com uma mulher após toda uma vida “aprisionado” e que hoje tem a guarda de uma criança com um parceiro. Ou o de Artur Francischi, que relata a sua primeira experiência homossexual com todas aquelas dores que geralmente encurralam a maioria dos jovens na mesma situação.

Alçaria voos mais altos caso não incorresse a um problema também visto recentemente em “Chega de Fiu Fiu“, este um documentário focado no assédio provocado por outras mulheres. Ao dar mais destaque para uma personalidade de apelo como Linn da Quebrada diante das demais participações, “Abrindo o Armário” vai entrando em discursos igualmente importantes, mas que podem dispersar o espectador de seu tema central.

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