Twarz, de Malgorzata Szumowska
.:: 42ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.
Talvez o melhor filme de Malgorzata Szumowska, “Body” evidenciou um grande interesse da cineasta polonesa por uma abordagem excêntrica sobre temas pouco fáceis, como a finitude da vida e o apego por crenças em situações adversas. Ao exibir esse drama com toques de comédia no Festival de Berlim em 2015, dividiu o prêmio de direção com o romeno Raul Jude, de “Aferim!”.
Três anos depois, Szumowska voltou ao festival alemão com “O Rosto”. Trouxe para casa mais um reconhecimento em mãos, sendo o Grande Prêmio do Júri. Já a resposta da crítica não foi tão entusiasmada. Por muitas razões, como se percebe no desenvolvimento de sua narrativa.
O prólogo se prontifica em estabelecer o tom de “O Rosto”. Em uma loja de variedades, há um banner indicando que os consumidores que entrarem seminus serão contemplados com um desconto imperdível. Todos rumam diretamente para o departamento de televisores, o que desencadeia um embate físico daqueles.
O humor é nonsense e será replicado na trajetória do protagonista. Interpretado por Mateusz Kosciukiewicz, Jacek é um jovem bem relacionado na cidadezinha polonesa que habita. Quando não está trabalhando em construções civis, passa o tempo com Dagmara (Malgorzata Gorol), com a família meio disfuncional e a esmo ouvindo rock, principalmente “Metallica”, a sua banda favorita.
A obra da vez é uma estátua de Jesus Cristo erguida para rivalizar com o nosso Cristo Redentor e Jacek sofre um acidente que arruína todo o seu rosto. Mesmo com um transplante, a musculatura segue meio fora do lugar e ele passa a ter muitas dificuldades para dialogar e até mesmo comer.
Chega assim o instante em que Szumowska começa a gerenciar intenções com uma clareza duvidosa. Talvez a principal delas seja avaliar, com certa chacota, as posturas de indivíduos quando um conhecido passa a ser tratado como uma criatura de outro mundo. Estabelece campos de divisão, às vezes desfocando toda a metade do plano intencionalmente.
A única pessoa que segue leal a Jacek é a sua irmã (Agnieszka Podsiadlik). De resto, “O Rosto” ainda tece um comentário sobre a hipocrisia religiosa de um coletivo em que até mesmo o padre se revela adiante um homem com tendências à perversão. No fim das contas, é só tudo muito estranho e até um tanto dispensável.

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