The Green Fog, de Evan Johnson, Galen Johnson e Guy Maddin
.:: 42ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.
A ponte Golden Gate talvez seja o maior cartão-postal de São Francisco e foi explorada exaustivamente pelo cinema. Mas há toda uma atmosfera particular nos demais ambientes da cidade californiana, que tão bem abraça especialmente as tramas policiais e de mistério.
O diretor de 62 anos Guy Maddin sempre filmou no Canadá, mas claramente tem uma relação de amor com São Francisco justamente na posição de espectador de cinema. Em “A Névoa Verde”, ele soma esforços com Evan e Galen Johnson para outra de suas realizações experimentais, aqui prestando tributo ao município que hoje conta com quase 900 mil habitantes.
No entanto, a homenagem foi pensada tendo outro elemento como ponto de partida: “Um Corpo que Cai”, de Alfred Hitchcock. Além de extrair um trecho desse clássico de 1958, Maddin e os Johnson pensaram em imagens de forte impacto do suspense para reprisá-las com o uso de quase 100 filmes e atrações televisivas que também se passam em São Francisco.
Ainda que ambientados em um mesmo cenário, as obras com trechos selecionados não poderiam destoar mais entre si. Entre elas, há “007: Na Mira dos Assassinos”, “A Conversação”, “A Dama de Vermelho”, “A Rocha”, “Alta Ansiedade”, “Instinto Selvagem”, “Jade”, “Jornada nas Estrelas IV: A Volta para Casa”, “Mudança de Hábito 1 & 2”, “Perseguidor Implacável”, “Precipícios d’Alma”, “Se Meu Fusca Falasse…”, “Sem Sol”, entre outras.
Com um senso de humor reconhecível em sua filmografia, Maddin costura algo que às vezes causa o riso por conta de algumas escolhas engraçadinhas em sua montagem, como a de limar os diálogos. Há também intervenções no material original. Na mais hilária delas, Rock Hudson e Susan Saint James contracenam juntos em uma cena do seriado setentista “McMillan & Wife” com uma tevê transmitindo um clipe da boy band “‘N Sync”.
Por parecer mais uma colagem do que necessariamente a (re)construção de todo um filme, o resultado pode soar cansativo em alguns momentos. Felizmente, Maddin ao menos está em sua versão mais branda, com uma metragem que totaliza um pouco mais de uma hora. Além do mais, vale a pena dar essa única chance de assistir “A Névoa Verde” na tela grande. Com evidente violação de direitos autorais, certamente não passaria no circuito comercial.

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