Pin Cushion, de Deborah Haywood
.:: 42ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.
A estética de casa de bonecas do britânico “Almofada de Alfinetes”, bem como a excentricidade das protagonistas apresentadas, a princípio sugere que o longa-metragem de estreia da cineasta Deborah Haywood é mais uma comédia leve ao ter aquela visão um tanto maniqueísta de pessoas boas e ruins. Ledo engano.
Lyn (Joanna Scanlan) e Iona (Lily Newmark) são mãe e filha que se mudam para um novo lar em uma cidadezinha. Com a sua corconda, Lyn parece uma personagem de uma fábula duramente menosprezada pelos vizinhos. Já a instrospectiva Lyn se refugia nas aparências e devaneios para se juntar às populares da turma Keely (Sacha Cordy-Nice), Stacie (Saskia Paige Martin) e Chelsea (Bethany Antonia) antes de ser vítima de suas maldades.
A tonalidade obscura para esse roteiro também escrito por Haywood se manifesta com uma reação de Lyn quando a vemos ser ridicularizada pela aparência pela primeira vez: se não fosse a intervenção da filha, ela teria removido toda a deformidade de sua coluna com uma serra.
Trata-se da primeira amostra oferecida por “Almofada de Alfinetes” (um título que parece aludir a indivíduos doces e bem-intencionados feridos por outros essencialmente espinhosos e perversos) para preparar o espectador para as consequências devastadoras provocadas no bullying praticando tanto por jovens quando por adultos. Mesmo numa roupagem ingênua, a inocência pode ser profanada, alerta Haywood.
Ao longo da narrativa, alguns comentários curiosos podem ser observados, como o fato de Chelsea, uma garota negra, sugerir que a invisibilidade soa como uma proteção em ambientes opressores. Ajuda a tornar a resolução final, extremamente radical, um pouco mais palatável.

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