Friday’s Child, de A.J. Edwards

.:: 42ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.

Antes um diretor bissexto, Terrence Malick passou a produzir sem parar desde o seu retorno com “A Árvore da Vida“. Redundante e vazio, o seu cinema hoje parece uma caricatura de si mesmo, apresentando como aleatoriedade o que antes era singular justamente pela pouca regularidade com que se via.

Muitos não conhecem A.J. Edwards. De Malick, ele foi editor em “Amor Pleno” e “Cavaleiro de Copas”, além de atuar nos bastidores do já citado “A Árvore da Vida” e “O Novo Mundo”. Agora por conta própria, dirige os seus próprios filmes. “Friday’s Child” é a segunda tentativa após o pouco visto “The Better Angels”, de 2014.

Imita os cacoetes de seu mestre principalmente nas tomadas em espaços públicos ou em paisagens desertas em que o protagonista é pego em devaneios. No caso de “Friday’s Child”, é Ritchie o condutor da narrativa, interpretado por Tye Sheridan, que teve a sua primeira chance como ator em… “A Árvore da Vida”.

Com um passado desconhecido, Ritchie acabou de atingir a maioridade e parece abandonado no mundo. Aluga um imóvel simples enquanto se vira nos lugares que primeiro o empregar. O seu planejamento parece dar certo, mas o assassinato da proprietária do condomínio que habita começa a desestruturá-lo, principalmente pelo modo intrusivo como Swim (Caleb Landry Jones) aparece nos ambientes em que trabalha ou frequenta.

O surgimento de Joan (Imogen Poots), uma garota que recentemente passou por uma perda trágica e que encontra em Ritchie uma presença para aplacar a sua solidão, explicita o que de melhor e o pior Edwards tem a oferecer com “Friday’s Child”.

De um lado, a interação entre esses dois jovens, defendidos por dois atores extremamente carismáticos e talentosos, tem o seu encanto e representa o fator emocional do filme. Por outro lado, é também evidenciado com o encontro a obviedade do texto, que permite que informações sejam antecipadas a milhas de distância.

A impressão é a de que faltou um roteiro em “Friday’s Child”. Principalmente pela presunção visual. Feito quase integralmente com a razão de aspecto de 1.33 : 1, Edwards vai surrupiando o estilo maçante de Malick sem qualquer cerimônia, ao final apresentando questões como culpa, trauma e redenção sem constituir um Ritchie em sua totalidade, até o fim sufocado pelo enclausuramento estético proposto.

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