Greta, de Neil Jordan

Com poucas interpretações no cinema em que fala em inglês dentro de um currículo com mais de 120 créditos, Isabelle Huppert voltou a despertar a atenção dos realizadores autorais fora da Europa com a sua indicação ao Oscar de Melhor Atriz por “Elle“. “Obsessão” foi um dos primeiros projetos que logo se apresentaram enquanto coletava os louros pelo filme provocador de Paul Verhoeven (por ele, ganhou o Globo de Ouro, o Independent Spirit Awards, o César, entre muitos outros). Irlandês responsável por filmes como “Traídos Pelo Desejo” e “Entrevista com o Vampiro”, Neil Jordan é dono de um universo sombrio que de algum modo encontra correspondência com a face obscura da maior atriz francesa da história.

Em “Obsessão”, Huppert incorpora uma vilã de modo frontal, não havendo muita dubiedade em relação ao seu comportamento homicida. Em uma das inúmeras cenas icônicas, a sua Greta dança na ponta dos pés após disparar contra um investigador desavisado. Na minha favorita, a sua Greta Hideg cospe uma goma de mascar nos cabelos de Frances McCullen (Chloë Grace Moretz) quando se sente contrariada.

No entanto, é preciso afirmar que o filme não seria tão divertido sem a veterana. Caso outra atriz fosse escalada, é certo que o texto se confundiria ainda mais com o filão oitentista/noventista de protagonistas obcecados por mocinhos bem-intencionados. Huppert eleva as coisas em “Obsessão”, mas Jordan às vezes parece retraído em levar as coisas até as últimas consequências da bizarrice com o propósito de não comprometer o potencial comercial de seu suspense, que não fez muito bonito nas bilheterias.

A seguir, assista ao comentário na íntegra sobre “Obsessão” feito com exclusividade para o canal do Cine Resenhas no YouTube:

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