Entrevista com Silvio Tendler, diretor do documentário “Alma Imoral”

Silvio Tendler

Publicado em 1998, “A Alma Imoral”, do rabino Nilton Bonder, tem mais de 300 mil exemplares vendidos. Anos depois, teve a sua fama ampliada com uma adaptação teatral, que completou 13 anos de palcos e foi assistida por mais de meio milhão de espectadores.

Era natural uma encarnação para o cinema, em que o documentarista Silvio Tendler, mais afeito a estudos sobre episódios políticos do país, busca com Bonder dialogar com nomes transgressores no campo das artes e dos pensamentos críticos e filosóficos. Entre os entrevistados, há intelectuais como Noam Chomsky e Rebecca Goldstein, o pintor polonês naturalizado brasileiro Frans Krajcberg (que faleceu em 2017) e o jornalista Uri Avnery.

A seguir, leia a breve entrevista que Silvio Tendler concedeu por e-mail para o Cine Resenhas. “Alma Imoral” segue em exibição nos cinemas paulistanos.

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“Alma Imoral” vem a ser a encarnação cinematográfica do best-seller de Nilton Bonder, que já havia recebido uma versão teatral. Poderia compartilhar o seu relacionamento inicial com este material?

Conheci o texto quando fui assistir a peça. Li o livro e achei que tinha uma pegada cinematográfica. Propus o filme.

Em sua vasta filmografia, predomina um interesse especial de avaliar cenários políticos, passados ou presentes, do país. A transgressão não se dissocia desse tema que tanto pautou a sua carreira, mas aqui o espectador terá acesso a algo mais existencial, filosófico. Qual a principal motivação para transformar “Alma Imoral” em cinema?

Me considero um transgressor e fui buscar na minha tribo os transgressores que ajudaram a melhorar o mundo rompendo com os tabus. É uma viagem nova minha e sempre acreditei que devemos nos renovar permanentemente. Assim nasceu “Alma Imoral”, o filme.

Como veio a ideia de estabelecer os respiros narrativos, aqui impostos com as coreografias da Cia. de Danças Debora Colker e as narrações de Bel Kutner, Júlia Lemmertz, Letícia Sabatella, Mateus Solano e Osmar Prado?

As múltiplas leituras são minhas e é um recurso que já adotei em outros filme, sendo não trabalhar apenas com um narrador. Entretanto, o balé foi ideia e aporte do rabino. Trabalharia com uma bailarina e um artista plástico francês que decompõe o movimento conjugando dança e holografia com textos escritos na tela. Ficaria menos cansativo no meu entendimento, mas o Rabino Nilton Bonder, meu parceiro, preferiu assim e também ficou bom.

O documentário é construído a partir de declarações de personagens que, cada um a seu modo, buscam quebrar os paradigmas da contemporaneidade. Como foi a pesquisa para chegar aos nomes certos e essenciais e o processo de condensar em duas horas depoimentos que parecem oriundos de longas conversas estabelecidas?

Fizemos muito mais entrevistas, tivemos mais personagens. O filme é apenas o resultado final de uma busca e não seu conjunto.

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* a foto do realizador com o rabino Nilton Bonder é um registro de Ana Branco

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