
Ainda estou devendo uma conferida em “A Infância de Um Líder”, mas este “O Brutalista” faz uma dupla perfeita com “Vox Lux” no sentido de compreender a América a partir de uma figura de grande importância em seu meio.
Naquele filme com Natalie Portman, o retrato de um século era pincelado a partir da tragédia pessoal de uma garota que se transforma em popstar, antes a sobrevivente de um tiroteio escolar e agora lançada à cultura do cancelamento com o uso de sua estética em um massacre com tiros a céu aberto.
Neste seu terceiro longa, ele agora nos apresenta o arquiteto ficcional László Tóth (nome emprestado de um geólogo húngaro), sobrevivente dos campos de concentração que tenta refazer a vida em uma nova nação para assim resgatar a esposa que ficou para trás.
Antes ator, Brady Corbet tem construído como diretor um cinema quase operístico, da divisão narrativa em atos até os usos de interlude e letreiros iniciais e finais opulentos.
Cria uma saga de cinco décadas que se concentra em três fases muito específicas, ilustrando um país que se vangloria por suas promessas de liberdade e valores cristãos (dois símbolos importantes disso inclusive antecedem prólogo e epílogo com símbolos invertidos) sem se importar com o sofrimento que impôs a um sem número de estrangeiros.
Do elenco, três destaques óbvios: Adrien Brody, um ator que Hollywood laureou com o Oscar e não soube o que fazer depois; Felicity Jones, que não assistia desde “Sete Minutos Depois da Meia-Noite”; e Guy Pearce, um cara sempre subestimado.
★★★★
Direção de Brady Corbet
Assistido na Mostra SP e em breve nos cinemas
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