De certo modo, é inegável a curiosidade que cerca uma modernização de “Emmanuelle” pelas mãos de Audrey Diwan, fresquinha de seu Leão de Ouro no Festival de Veneza com “O Acontecimento”, embora seja um filme superestimado e uma adaptação com escolhas equivocadas.

Pois a realizadora francesa faz questão de frustrar todas as expectativas, do desavisado que quer aliviar as tensões com um soft porn aos moldes daquele lançado nos anos 1970 até aquele que aguardava uma leitura feminista, na qual os desejos da protagonista não estão reféns de lentes masculinas.

Se em 1974 a Emmanuelle era uma modelo lançada por seu marido em Bangkok para uma série de aventuras sexuais com homens e mulheres, agora temos Noémie Merlant em Hong Kong para averiguar o controle de qualidade da unidade de uma rede de hotéis chiques usando as horas vagas para desbravar territórios misteriosos com aquele desespero de alguém com apetite sexual altíssimo em busca de um orgasmo.

A experiência aqui é pretensiosa até a medula. Temos de acompanhantes camufladas memorizando longos trechos de “O Morro dos Ventos Uivantes” até a Naomi Watts totalmente perdida e com direito a um monólogo constrangedoramente dramático a respeito de escolha de música ambiente (eu já estava gargalhando no segundo “ti, tati, tata” dela).

Há muito eu não assistia a um filme tão sem propósito quanto esse aqui, desses que causam mais perda de libido do que uma overdose de antidepressivos.


Direção de Audrey Diwan
Assistido no 1º Festival de Cinema Europeu Imovision e em breve nos cinemas (Imovision)

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