Há 13 anos, o diretor Nanni Moretti havia nos dado uma boa ideia de como funcionam esses bastidores ultra secretos de eleição de um novo papa com a comédia “Habemus Papam”. Porém, embora a dúvida seja algo que impera os pensamentos de alguns personagens como testemunhamos com o protagonista daquele filme, aqui o caminho enveredado é o do thriller.

Ainda fresco de sua aclamação com o remake alemão de “Nada de Novo no Front”, Edward Berger faz bom uso daquele teor conspiracionista da literatura de Robert Harris (o mesmo de “O Escritor Fantasma”, que rendeu aquele filmaço do Polanski), tratando tudo como se fosse uma eleição política.

Embora a excelente recepção geral seja resultado da maneira afável com o qual tudo é tratado (há um humor sofisticado no flagra do ócio daqueles homens que é impagável), considero o primeiro terço do filme bastante problemático em engatar um ritmo.

Quando acontece o primeiro conclave, isso na altura dos 40 minutos de projeção, direção, roteiro e elenco movem com muito mais fluidez, tornando um procedimento tão solene em algo fascinante.

Os dois principais destaques do elenco, Ralph Fiennes e Isabella Rosselini (naquele papel pequeno em que cada segundo em cena é precioso) mereciam o Oscar, bem como Carlos Diehz merecia melhor sorte nas menções – o fato dele nem estar na composição que ganhou o último SAG é um ultraje!

★★★
Direção de Edward Berger
Disponível no Prime Video

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